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Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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Endocardite infecciosa

  • Definição
    • Infecção da superfície do coração que pode ser de valvas, septo, cordoalha tendínea, endocardio e associada a cateter como marca-passo
    • Aguda: evolução em semanas com repercussão sistêmica e embolização de focos infectados. Pode ocorrer a destruição total da valva
    • Subaguda: sintomas indiciosos, geralmente não forma embolos
  • Epidemiologia
    • Acomete mais homens que mulheres
    • Fatores de pior prognóstico: infecção por aureus e eventos embólicos associados
    • Aumento dos casos que ocorrem após internação de longa permanência devido ao uso de dispositivos EV
  • Qual a microbiota da endocardite subaguda
    • Mais comuns: aureus (mais frequente atualmente), streptococcus viridans e enterococo
    • Grupo HACEK - menos comuns
      • Haemophilus aphrophilus 
      • Actinobacillus actinomycetemcomitans
      • Cardiobacterium hominis
      • Eikenella corrodens
      • Kingella kingae
    • Relacionado à bactérias do TGI
  • Fisiopatologia
    • Ocorre lesão do tecido cardíaco com deposição de fibrina e maior possibilidade de aderência de bactérias circulantes com a formação de um trombo infectado
    • Defeitos valvares = predisposição à colonização de bactéria
    • Uso de medicações ou drogas EV que possuem partículas sólidas em sua composição = fluxo sanguíneo turbilhonar predispões a lesão do tecido o que aumenta a chance de colonização
    • Uso de dispositivos intra-cardíacos (como o marca-passo) = causa lesão direta no tecido
    • Inflamação crônica de doenças degenerativas como doença reumática = predispõe à colonização
  • Manifestações clínicas
    • Forma aguda: sintomas sistêmicos de toxêmia
    • Forma subaguda: sintomas arrastados e inespecíficos, pode ter perda de peso, febre, fadiga e anorexia, pode haver esplenomegalia
    • Manifestações comuns na forma aguda: febre, sopro novo ou mudança no padrão de sopro prévio, artralgia, mialgia
    • Manchas de Janeway: máculas em regiões tenares e hipotenares
    • Nódulos de Osler: nódulos dolorosos e violáceos na porção terminal das falanges
    • Quando suspeitar: paciente com febre de origem indeterminada com fatores de risco
  • Fatores de risco
    • prótese valvar
    • dispositivos cardíacos
    • uso de drogas injetáveis
    • manipulação dentária em dentes com má conservação
    • doença cardíaca prévia
    • doença reumática
    • HIV
    • hemodiálise
    • defeito em valva nativa
  • Quando suspeitar

    Febre de origem indeterminada com:

    • Prótese valvar cardíaca ou outro dispositivo cardíaco
    • Doença cardíaca estrutural que predispõe à lesão e colonização do tecido cardíaco
    • Endocardite prévia
    • Uso de droga EV
    • Abscesso periférico encontrado ou sintomático como: hepático, cerebral e renal
  • Critérios de Duke modificado 2023

    CRITÉRIOS MAIORES

    Cultura de bactérias

    • Hemocultura positiva - um dos itens positivo
      • Microrganismo típico: ≥ 2 amostras positivas de sítios diferentes
      • Microrganismo atípico: ≥ 3 amostras positivas de sítios diferentes
      • Exames laboratoriais para bactérias específicas

    Exames de imagem

    • ECO OU TC:
      • Presença de vegetação, perfuração, aneurisma, abscesso ou fístula intracardíaca
      • Nova regurgitação valvar ao ECO em comparação com imagem prévia
      • Nova alteração parcial da prótese valvar em relação a imagem prévia

    CRITÉRIOS MENORES

    • Fator de alto risco: 
      • usuário de drogas EV
      • prótese valvar, cirurgia valvar prévia
      • próteses e procedimentos intracardíacos
      • valvopatias, mesmo sem uso de prótese
      • cardiopatias congênitas
      • dispositivos cardíacos implantáveis
      • endocardite prévia
    • Febre ≥ 38 °C sem outro foco
    • Presença de embolos e abscessos em outro território: como cerebral e hepático
    • Alterações imunológicos: glomerulonefrite, nódulos de Osler, manchas de Roth, fator reumatoide +
    • Novo sopro regurgitante 

    Existem outros critérios com exames não disponíveis no SUS

    • Diagnóstico definitivo: dois maiores OU 1 maior + 3 menores OU 5 menores
    • Diagnóstico possível: um maior + um menor OU 3 menores
  • Exames
    • 2 pares de hemocultura de dois sítios diferentes, cada par deve ser coletado com 1h de diferença
    • Hemograma
    • Função renal
    • TGO/TGP
    • VHS
    • PCR
    • ECO transesofágico
  • Embolização sistêmica
    • Artéria esplênica
    • Infarto renal
    • Comprometimento dos vasos mesentéricos
    • IAM
    • Dor articular
    • Abscesso cerebral ou hepático
    • AVC por embolização
  • Tratamento
    • Tratamento prolongado com ATB devido ao sítio de infecção ser de difícil ação do sistema imune, além da colonização ser envolta por uma capa de fibrina
    • A febre é o primeiro sintoma a desaparecer, porém o tratamento deve-se estender pelo tempo adequado
    • Culturas devem ser coletadas diariamente até a negativação
    • A escolha do ATB deve ser guiada pela cultura e a prevalência bacteriana no serviço
    • Tratamento empírico pode ser considerado se alta suspeita diagnóstica
    • Indicar profilaxia antibiótica apenas para pacientes de alto risco (prótese valvar, história prévia de endocardite e algumas cardiopatias congênitas)

Fonte consultada: Medicina de Emergência USP 11 edição

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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