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Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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IC

  • Qual a fisiopatologia da insuficiência cardíaca
    • Quais os sinais e sintomas mais comuns de insuficiência do ventrículo esquerdo: baixo débito, dispneia, síncope e choque cardiogênico
    • O que é disfunção diastólica: quando a capacidade de relaxar é perdida e para isso o ventrículo precisa aumentar a pressão intracavitária, o que acaba sendo transmitida para outros vasos = congestão
    • Como a atividade simpática aumentada atua: atua no remodelamento cardíaco
    • O que é remodelamento cardíaco: quando ocorre produção de áreas disfuncionais no coração = hipertrofia = distúrbios de ritmo
  • Conceitos
    • Débito sistólico: o que é ejetado a cada batimento
    • Volume sistólico final: o que fica no coração após a ejeção
    • Volume diastólico final: é o volume de sangue que o coração consegue receber
    • Débito cardíaco: quantidade de sangue ejetada a cada batimento
    • Fração de ejeção: é a relação entre a quantidade ejetada e a que sobrou
    • Pressão diastólica final: é a pressão com que o coração consegue relaxar para receber o sangue (aumento dessa pressão quer dizer que ele não está conseguindo relaxar o bastante)
    • Função sistólica: capacidade que o ventrículo possui de ejetar o sangue
    • Função diastólica: capacidade que o ventrículo possui de receber sangue sem alterar a pressão intracavitária
  • O que é insuficiência cardíaca esquerda, quais os sintomas e as principais causas
    • Disfunção cardíaca que atrapalha o bombeamento de sangue pelo ventrículo esquerdo, causando sinais de congestão pulmonar e baixo débito
    • As principais causas são: HAS, isquemia de VE e estenose aórtica
  • O que é insuficiência cardíaca direita, quais os sintomas e as principais causas
    • Congestão sistêmica
    • Causas pulmonares: cor pulmonale e hipertensão pulmonar
    • quando o ventrículo direito não consegue ejetar sangue adequadamente para o pulmão
  • O que é insuficiência cardíaca sistólica
    • Função sistólica comprometida com queda na fração de ejeção
    • Causa dilatação das câmaras cardíacas
    • quando a deficiência está em ejetar o sangue, ou seja, na função de contração
  • O que é insuficiência cardíaca diastólica
    • Disfunção de relaxamento, mantém a fração de ejeção
    • Causa hipertrofia concêntrica - hipertrofia das paredes
    • "ventrículo duro"
  • O que é insuficiência cardíaca de baixo débito
    • Quando a disfunção leva a um baixo débito e a hipotensão
    • Maioria das ICs
  • O que é insuficiência cardíaca de alto débito
    • Aquela na qual a etiologia da IC ocorre pelo aumento da demanda metabólica corporal: anemia, hipertireoidismo, choque, infecção
  • Quais são os mecanismos que causam remodelamento cardíaco
    • Noradrenalina: apoptose celular
    • Aldosterona: fibrose
    • Angiotensina: hipertrofia
  • Como o corpo tenta compensar a diminuição do débito cardíaco
    • Aumentando a retenção de água e sódio, ativando o SRAA, assim o aumento do volume faz com que a pré-carga aumente e assim favorece o mecanismo de Frank-Starling (a longo prazo isso não se sustenta, pois ocorre perda da função contrátil, o que contribui para o surgimento de edema)
    • Aumento da FC para aumentar o DC e melhorar a contratilidade
    • Hipertrofia muscular (mais força), porém causa mais arritmia e isquemia = áreas disfuncionais do miocárdio
    • Mecanismos relacionados a tentar bombear mais volume, seja pelo aumento da retenção, que mexe na pré-carga ou pelo aumento da frequência
  • De quais fatores o débito cardíaco é dependente
    • DC = VS (VOLUME EJETADO NA SÍSTOLE) X FC
    • VS depende da pré-carga, da pós-carga e da contratilidade
    • Pré-carga depende do retorno venoso e do volume sanguíneo
    • Pós-carga depende da resistência vascular periférica e da pressão arterial
  • Qual a diferença entre congestão pulmonar e edema agudo de pulmão
    • Congestão é um estado crônico que cursa com dispneia, dispneia paroxística noturna, crepitações em bases pulmonares e sibilos
    • O edema agudo de pulmão é uma descompensação da congestão que pode levar a óbito se não tratado. Cursa com intensa taquidispneia e ortopneia
    • Geralmente o derrame é mais evidente à direita devido a uma menor vascularização linfática. Assim, os derrames devem ser puncionados quando são a esquerda, provavelmente a causa não é cardíaca
  • O que encontrar no exame físico
    • Pulso alternans: alternância entre um pulso forte (o músculo cardíaco dispõe de toda força que ele consegue) x pulso fraco (o músculo cardíaco não conseguiu se recuperar)
    • B1: é o fechamento das válvulas atrioventriculares, estará hipofonética. Principalmente em mitral. Hipocontratilidade do ventrículo
    • B2: é o fechamento das semilunares e estará hiperfonética devido à pressão com que o sangue passa por elas. Principalmente em foco pulmonar. Hipertensão pulmonar
    • B3: desaceleração do sangue quando passa do átrio para o ventrículo
    • B4
    • Sopro sistólico mitral que irradia para a axila causado pela insuficiência mitral (segundaria à dilatação do VE)
    • Manobra de Rivero-Carvalho: evidência a hiperfonese de B2, pois aumenta o retorno venoso
    • O que esperar do exame do sistema respiratório: crepitações em base, dispneia, dispneia paroxística noturna, síbilos (asma cardíaca)
    • O que acontece com a pele no edema crônico: torna-se inelástica, friável, opaca
    • Exame hepático: aumento do volume do fígado, reflexo hepato-jugullar
    • Sinais sistêmicos de congestão, anasarca, edema em MMII
  • Quais são as causas mais comuns de cardiopatia dilatada
    • Hipertensão arterial
    • Doença coronariana
    • Valvopatia
    • Cardiomiopatia alcoólica
    • Doença de chagas
  • Critérios de Framingham para o diagnóstico

    Critérios MAIORES (2 maiores)

    • edema agudo de pulmão
    • DPN
    • estertores pulmonares
    • turgência de jugular
    • reflexo hepatojugular
    • PVC > 16
    • cardiomegalia no raio-x
    • terceira bulha
    • perda de peso > 4,5kg com o tratamento

    Critérios MENORES (2 menores e 1 maior)

    • edema maleolar bilateral
    • derrame pleural
    • hepatomegalia
    • dispneia aos esforços
    • tosse noturna
    • capacidade vital menor que 1/3 do previsto
    • taquicardia > 120 bpm
  • Quais são os exames laboratoriais que auxiliam no diagnóstico
    • Dosagem de BNP (é produzido devido ao estiramento do ventricular)
    • Raio-x de tórax: aumento da silhueta cardíaca, sinal de congestão - edema alveolar extenso e infiltrado interstício-alveolar (borboleta), linha B de Kerley (linhas horizontais na periferia do pulmão que se estendem até a pleura, elas denotam septos interlobulares espessados e edematosos) e inversão do padrão vascular (as veias ficam mais evidentes no ápice)
    • ECG: sobrecarga ventricular com QRS apiculado
    • ECO: diminuição da fração de ejeção < 50%
  • Quais são os principais determinantes prognósticos
    • Classe funcional - NYHA: avalia o nível de dispneia
    • Classificiação evolutiva - relação dos exames complementares com os sintomas
    • Fração de ejeção
    • Disfunção diastólica associada
    • Nível do BNP
    • Complicações
  • Como estabelecer a classe funcional (NYHA)

    É baseada no grau de dispneia do paciente

    • I - grandes esforços
    • II - pequenos esforços
    • III - esforços do cotidiano (escovar dente)
    • IV - em repouso
  • Como fazer o estadiamento evolutivo
    • A: sem sintomas com risco de desenvolver
    • B: com fração de ejeção reduzida e sem sintomas
    • C: com fração de ejeção reduzida e sintomático
    • D: sintomas em repouso
  • Avaliação da fração de ejeção
    • Prediz o prognóstico independente da classe funcional (ou seja, uma FEVE muito baixa, mesmo sem sintomas exuberante, já é um sinal de mau prognóstico)
    • Muito grave < 35%
  • Quais são as principais complicações da IC
    • TEP, trombose venosa, arritmia (FV ou assistolia é a principal causa de morte)
    • quando anticoagular: quando FA concomitante, internação ou descompensações fazer heparina profilática e presença de trombo mural
  • Condições que descompensam a IC
    • Infecções
    • Excesso de líquidos: fazer restrição hídrica para 1,5L/dia quando o tratamento com diurético não estiver funcionando e com sódio < 130
  • Tratamento
    • Ingestão de sódio
    • Restrição hídrica
    • Repouso
    • Uso de AINE
    • Profilaxia para trombose em viagens
    • Vacinação: influenza e pneumo
  • Qual o limite da inferioridade para a fração de ejeção

    < 45%

  • Como avaliar a hemodinâmica
    • Perfil A: perfundido e seco (quente e seco)
    • Perfil B: perfundido e úmido (quente e úmido)
    • Perfil L: má perfusão e seco (frio e seco)
    • Perfil D: má perfusão e úmido (frio e úmido)
  • Qual o tratamento primordial da IC

    IECA ou BRA ou ARNI + betabloqueador + antagonista de mineralocorticoide (espironolactona) + inibidor de SGLT2 (dapagliflozina ou empagliflozina)

    Titular progressivamente as doses conforme tolerância clínica e hemodinâmica

  • Quando IECA e BRA são substituídos e por qual medicamento
    • Substituir por sacubitril/valsartana (ARNI) em pacientes com FE reduzida e persistência de sintomas apesar de terapia otimizada
    • Realizar transição conforme diretrizes e tolerância hemodinâmica
  • Quando usar sarcubitril/valsartana
    • Substituição ao IECA com terapia otimizada com prevalência dos sintomas
    • Melhor para pacientes negros
    • Age por meio da vasodilatação periférica
  • Quais são as manifestações da IC esquerda
    • TEC aumentado, edema de pulmão, cianose, palidez cutânea, pode apresentar síncope, dispneia paroxística noturna
  • Quais são as manifestações da IC direita
    • Turgência jugular, hepatomegalia, edema de membro inferior
  • Quais medicamentos interferem na mortalidade
    • IECA ou BRA ou ARNI
    • Betabloqueador
    • Antagonista de mineralocorticoide (espironolactona)
    • Inibidor de SGLT2 (dapagliflozina ou empagliflozina)
  • Quais medicamentos são para tratamento sintomático
    • Diurético de alça: furosemida
    • Diuréticos tiazídicos: hidralazina
    • Digoxina: aumenta o inotropismo
    • Amiodarona: quando tem arritmia associada
  • Como tratar o paciente quente e úmido
    • Furosemida
    • Se não melhorar dar inotrópico (dobutamina)
  • Como tratar o paciente frio e úmido
    • PA > 90: dobutamina + diurético (associar depois) + VASODILATADOR (nitroglicerina ou nitroprussiato)
    • PA < 90: dobutamina (inotrópico +) + volume + VASOPRESSOR (dopamina ou noradrenalina)
  • Como tratar o paciente frio e seco
    • Volume + dobutamina
    • Se não melhorar olhar PA, medicar conforme acima
  • Quais medicamentos melhoram a pré-carga
    • Diuréticos
    • Vasodilatadores venosos
  • Quais medicamentos melhoram a contratilidade
    • Dobutamina
    • BB (diminui a FC o que impede o remodelamento cardíaco e o esforço do coração)
    • Digoxina (aumenta a contratilidade)
  • Quais medicamentos melhoram a pós-carga
    • Hidralazina/nitrato: vasodilatação periférica
    • IECA/BRA reduzem a resistência vascular periférica
    • Vasodilatador (reduzem a resistência vascular periférica)
  • IECA
    • Captopril ou enalapril
    • Reduzem a pós-carga por ser dilatação arterial
    • Reduzem a pré-carga por dilatação venosa
    • Impedem o remodelamento cardíaco por ação da aldosterona
    • Estimulam a produção endógena de vasodilatadores (óxido nítrico e bradicinina), o BRA não faz isso
    • Recomendado para todo paciente com IC, independente da sintomatologia
    • Devem ser suspensos com creatinina sérica > 30% do basal ou hipercalemia
  • Bloqueadores dos receptores AT1 da angiotensina - BRA
    • Bloqueiam a ação da angiotensina por ocuparem os receptores
    • Não aumentam os vasodilatadores endógenos, como os ieca, por isso devem ser usados só quando houver intolerância
    • esses receptores estão na musculatura vascular (dilatação), nos miócitos (impedem o remodelamento) e na suprarrenal (redução da aldosterona)
  • Betabloqueador
    • Metoprolol, carvedilol ou bisoprolol
    • Inotrópico negativo, reduz a FC e reduz o efeito tóxico da nora nos miócitos
    • Deve ser suspenso em choque cardiogênico ou em BAV, não deve ser introduzido em pacientes descompensado (qualquer congestão), se já fazia uso manter a droga e reduzir a dose em 50% para melhora hemodinâmica
    • Bloqueia a ação da noradrenalina nos miócitos
    • Deve ser prescritos para todos os pacientes com IC sistólica, independente da classe funcional, iniciando com dose mínima e ajustando até a dose otimizada (preconizada nos estudos). Também deve ser usado na isquemia por reduzir a demanda metabólica do coração
    • 30% dos pacientes não toleram
    • É contraindicado na asma e em bradicardias
  • Antagonista da aldosterona
    • Espironolactona
    • Reduz arritmias, pois é polpadora de potássio, assim naqueles pacientes que fazem uso de tiazídicos ou de diuréticos de alça, é uma boa opção para controlar os níveis de potássio
    • Previne hipocalcemia devido ao uso de diuréticos tiazídicos ou de alça
    • Reduz dano direto da aldosterona
    • Deve ser prescrito nos pacientes com classe funcional II a IV
    • Não deve ser usado quando K > 5,5
  • Hidralazina + nitrato
    • Melhor resultado em pacientes negros classe II-IV, então deve ser prescrita quando esses pacientes já fazem uso da tríade medicamentosa
    • Pose ser prescrito para pacientes brancos que não melhoram os sintomas mesmo em uso da terapia otimizada
    • Melhora a pós-carga por ser dilatador arteriolar
    • Melhora a pré-carga por ser venodilatador
  • Digitálicos
    • Inotrópico positivo: aumento da força contrátil por aumentar a quantidade de cálcio
    • Colinérgico: aumenta o tônus vagal, reduz o automatismo do nó sinusal, por isso um dos efeitos da intoxicação é a bradicardia (modulação simpática)
    • Indicados na classe funcional III-IV que não compensam mesmo com a terapia otimizada e naqueles com FA associada
    • Reduzem o número de descompensações
    • Contraindicado na IC diastólica pura, na isquemia sem comprometimento de VE e nos bloqueios
  • Ivabradina
    • atua no nó sinusal, controlando o impulso elétrico
    • tem como função a redução da FC
    • é indicado para classe funcional II-IV que não melhoram os sintomas com terapia otimizada com BB
    • contraindicado em arritmias e FC < 70
  • Diuréticos (furosemida e tiazídicos)
    • a pré-carga pode ficar comprometida pelo excesso de volume, gerando congestão
    • furosemida é o melhor medicamento para controle da descompensação por congestão (de alça)
    • os dois diuréticos podem ser usados em conjunto
    • doses altas podem levar a uma síndrome de baixo débito
    • Quando IC aguda que nao resolver realizar o triplo bloqueio: furosemida + espironolactona + hidrocloratiazida
  • Outros medicamentos
    • Verapamil e nifedipina são inotrópicos positivos, então não são indicados na IC
    • Anlodipina deve ser indicada quando houver associação com HAS resistente
  • Quais são as evidências de IC diastólica
    • Drogas que reduzem a hipertrofia ventricular: verapamil e diltiazem (BCC não di-idropiridínicos), IECA (principal), BRA, BB, diuréticos ou amlodipina
    • O tratamento é baseado no controle pressórico
  • Questões
    • Estudos recentes mostraram benefícios no uso das "glifozinas" (inibidores da SGLT-2) nos pacientes com IC com FE reduzida; principalmente aumento da sobrevida desses pacientes, podendo ser usada juntamente com IECA + BB + espirono. EMPAGLIFOZINA
  • Livros USP
    • nao usar IECA quando função renal prejudicada, substituir por hidralazina + nitrato
    • Contraindicação absoluta do uso de IECA: estenose da artéria renal bilateral e gravidez
    • Os BB devem ser iniciados com o paciente estável, em doses baixas, titulação lenta, no inicio do tto pode piorar a função cardíaca
    • Os BB nao devem ser usados quando BAV grave, doença arterial periférica grave, asma grave, DPOC grave
    • Dose IECA:
      • Captopril - inicial 6,5mg 8/8h manutenção com 25-50mg 8/8h
      • Enalapril - inicial 2,5mg/dia manutenção 10mg 12/12h
    • Dose BRA
      • Valsartana - inicial 80mg/dia manutenção 320mg/dia
      • Losartana 50mg/dia manutenção 100mg/dia
    • Furosemida - 20mg/dia inicial
    • Hidrocloratiazida - 25-50mg/dia
    • Hidralazina - inicial 12,5 3x dia manutenção 100mg 3x dia
    • Nitrato - inicial 20mg 3x dia manutenção 40mg 3x dia

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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