Valvopatias
Características gerais da estenose
- Problema de abertura da válvula = diminuição do volume ejetado e sobrecarga para a câmara posterior
Características gerais da insuficiência
- Problema no fechamento da válvula = refluxo de sangue para a câmara posterior
- Usar diurético e vasodilatadores
Estenose mitral
Qual a definição de estenose mitral
- Defeito na abertura da valva aumentando a pressão de enchimento ventricular (sobrecarrega o átrio)
Como o grau da estenose mitral é avaliado
- Por meio do ECO no qual o diâmetro do orifício é avaliado
- 2,5 e 4 - mínima
- 1,5 - 2,5: leve
- 1,0 - 1,5: moderada
- menor que 1,0: grave
Qual a fisiopatologia da estenose mitral
- Fisiopatologia: geralmente ocorre após episódio de febre reumática, os folhetos da válvula tornam-se rígidos, impondo resistência à abertura. Por isso, a pressão de enchimento ventricular deve aumentar para que o sangue consiga ser ejetado do átrio para o ventrículo, com isso ocorre transmissão retrógrada dessa pressão para o pulmão. Isso leva a um quadro de hipertensão pulmonar progressiva (ocorre vasoconstrição dos vasos pulmonares como forma de resposta, que progride para hipertrofia das arteríolas até que o processo se torne irreversível), com o passar do tempo, essa transmissão atinge o VD levando à insuficiência ventricular direita com sintomas de congestão sistêmica.
- Relação com o DC: o aumento do DC, como acontece na atividade física, faz aumentar o retorno venoso, por consequência aumenta a quantidade de sangue que chega ao AE, com isso a dispneia piora. É a valvopatia menos tolerada na gestação (aumento do volume sanguíneo). Com o passar do tempo, ocorre diminuição do DC, pois a pressão de enchimento não consegue mais ser compensada.
- Relação com a FC: diminui o tempo de diástole, o que aumenta a pressão de AE e pode descompensar a dispneia, causando edema de pulmão. Um dos fatores que levam a esse aumento da FC é a atividade física e a fibrilação atrial
Quais são os sintomas da estenose mitral
- Dilatação do AE com congestão pulmonar: dispneia, edema pulmonar, crepitação
- Polpa VE
Qual a relação da estenose mitral com a hipertensão pulmonar
- É uma das causas de hipertensão pulmonar secundária
- Ocorre o aumento progressivo da pressão, por isso os sintomas não aparecem logo de início, pois o indivíduo consegue se adaptar a eles
O que acontece com o débito cardíaco ao longo da evolução da estenose mitral
- Diminui conforme a progressão da doença, pois o gradiente de pressão transvalvar não consegue aumentar mais
Qual a etiologia da estenose mitral
- febre reumática
Quais achados semiológicos são típicos da estenose mitral
- Sopro diastólico em ruflar: aumento da intensidade com o decúbito semilateral esquerdo. Se for intenso pode irradiar para a axila e para o foco tricúspede. Diminui com inspiração e valsalva e aumenta com exercício
- Hiperfonese de B1 devido à rigidez da valva ao se fechar que com o tempo evolui para hipofonese
- Perda do desdobramento de B2
- Estalido de Abertura (logo após B2) audível no foco tricúspede e mitral
Quais são as complicações da estenose mitral
- fibrilação atrial
- fenômenos tromboembólcios: devido principalmente a FA, deve-se fazer anticoagulação com warfarin
- endocardite infecciosa
Como tratar a estenose mitral
- Aumentar o tempo de diástole com BB, BCC e digitálicos. Usar diurético e anticoagular pelo risco de FA
Exames complementares
- ECG: para identificar se o ritmo é sinusal ou se tem FA crônica
- O que observar no coração no raio-x: duplo contorno da silhueta direita do coração pelo aumento do átrio esquerdo, deslocamento superior do brônquio fonte esquerdo (sinal da bailarina) e abaulamento do 3º arco cardíaco esquerdo
- O que observar no pulmão no raio-x: inversão do padrão vascular e linhas B de Kerley
- ECO: tamanho do orifício e função ventricular, grau de calcificação, espessamento, mobilidade das cúspedes e grau de comprometimento
- Quando o cateterismo deve ser indicado: quando a clínica e o ECO são discrepantes ou quando há mais de uma valva lesada
Quais são os estágios classificativos da progressão da doença
- Estágio A: fatores de risco para a doença
- Estágio B: doença assintomática com lesão leve/moderada
- Estágio C: doença assintomática com lesão grave
- Estágio D: sintomático
Tratamento
- Betabloqueadores: aumenta o período de diástole, por isso melhora o enchimento ventricular
- Quando usar verapamil e diltiazem: quando os betabloqueadores forem contraindicados (hiperreatividade brônquica)
- FA associada com choque cardiogênico: cardioversão imediata
- FA sem choque: controlar com betabloqueador e avaliar se há necessidade de cardioversão
- FA com tempo maior que 48h: anticoagular por 3 semanas
- Anticoagulação: quando FA associada por tempo indeterminado, warfarin mantendo o INR 2-3 e adicionar AAS se o paciente recidivar eventos embólicos
- Antibioticoprofilaxia: sempre antes de qualquer procedimento invasivo, incluindo procedimentos dentários
Terapia intervencionista
- Indicação absoluta : paciente sintomático (classe II-IV) com estenose moderada a grave
- Valvoplastia percutânea com balão: na ausência de trombo com morfologia favorável
- Comissurodomia cirúrgica: aqueles que apresentam trombo após 3 meses de anticoagulação
- Troca valvar: quando a lesão é grave, dupla lesão ou com doença coronariana associada
Explicação dos sintomas pela fisiopatologia
- dispneia: aumento da pressão pulmonar
- rouquidão: compressão do nervo laringo recorrente
- disfagia: compressão do esôfago
- FA: desarranjo das fibras do átrio
- piora da dispneia com aumento da FC: diminui o tempo da diástole
Explicação dos componentes do sopro
- sopro diastólico: é uma deficiência na abertura dessa valva, ela se abre durante a diástole
- reforço pré-sistólico: contração do átrio para ejeção do sangue no final da diástole
- estalido de abertura, estalido de abertura e hiperfonese de B1 (abertura dessa valva, como ta mais difícil, faz mais barulho)
Estenose aórtica
Definição de estenose aórtica
- Dificuldade de abertura da valva aórtica que gera um gradiente pressórico entre o VE e a aorta
Quais são os graus de estenose
- Leve maior que 1,5
- Moderada entre 0,8 e 1,5
- Grave menor que 0,8
Qual a fisiopatologia da fase compensada
- Ocorre hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo como forma de aumentar o inotropismo cardíaco, com isso a força de contração é suficiente para vencer o gradiente pressórico. Com o tempo esse mecanismo se perde e a doença evolui para uma insuficiência cardíaca
- Esse mecanismo auxilia para manter a pós-carga igual antes = área da cavidade menor e espessura da parede maior
Qual a fisiopatologia da fase descompensada
- Mecanismos da isquemia: o aumento da massa muscular faz com que ocorra compressão dos vasos coronarianos, além do suprimento ser insuficiente, principalmente durante o exercício físico
- Arritmias: áreas de fibrose que não conduzem direito
- Débito cardíaco fixo e síncope: a saída é fixa, logo o fluxo que sai também é fixo, portanto no exercício o DC não compensa o aumento da FC e da vasodilatação periférica, por isso ocorre síncope
- Insuficiência cardíaca congestiva: estágio evolutivo no qual a hipertrofia de VE não consegue mais compensar o DC, além disso, o gradiente pressórico é transmitido retrogradamente gerando uma IC congestiva sistêmica e pulmonar
Quais são as 3 etiologias
- valva bicúspede congênita
- degeneração calcífica (relacionada a aterosclerose)
- doença reumática
Qual a tríade clássica dos sintomas da estenose aórtica
- Angina + síncope + dispneia
- Baixo débito cardíaco, síncope, TEC aumentado, pode causar choque, IC e dor anginosa (óstio das coronárias não recebe fluxo adequado)
- Polpa o átrio esquerdo
Quais achados semiológicos são típicos da estenose aórtica
- Sopro mesossistólico ejetivo, em diamante que irradia para as carótidas - mais intenso no meio da sístole
- A intensidade do sopro aumenta com manobrar que aumentam o retorno venoso e diminuem com as que diminuem o retorno venoso
- manobra de valsalva: diminui o retorno venoso e diminui a intensidade do sopro, enquanto que na miocardiopatia hipertrofica o sopro fica mais audível
- Hiperfonese de B2
- Pulso parsus tardus: ascensão lenta e baixa amplitude
Quais são as complicações
- Tromboembolismo
- Endocardite infecciosa
- Hemorragia digestiva baixa
Exames complementares
- ECG: sobrecarga ventricular esquerda, padrão de Strain (infra de ST com T negativa)
- ECO: gradiente pressórico e nível da estenose
Tratamento
- Vasodilatadores: não devem ser utilizados, pois não consegue aumentar o DC, causam hipotensão
- Diuréticos: devem ser usados com cautela na síndrome congestiva, pois podem reduzir o DC
- Betabloqueadores: são contraindicados
- Fibrilação atrial: cardioversão
- Não tratar, evitar medicamentos BB e vasodilatadores
- Na emergência usar betabloqueador em níveis baixos e diurético (furosemida)
Quais são as indicações de troca valvar
- Indicações absolutas: pacientes com lesão grave, sintomáticos, que irão fazer outro tipo de cirurgia cardíaca ou com função de ejeção menor que 50%
- Escolha do tipo de prótese: adultos acima de 60 preferir prótese biológica por não precisar anticoagular, enquanto para jovens é melhor usar a prótese mecânica, detalhe para mulheres em idade gestacional, pois os novos anticoagulantes orais são contraindicados
Insuficiência mitral
Quais os sintomas da insuficiência mitral
- Sobrecarga de AE
- Congestão pulmonar
Quais achados semiológicos são típicos da insuficiência mitral
Como tratar a insuficiência mitral
- Vasodilatadores para diminuir a RVP
Insuficiência aórtica
Quais os sintomas da insuficiência aórtica
- Sobrecarga de volume para o VE = IC
- Congestão pulmonar
Quais achados semiológicos são típicos da insuficiência mitral
- PA divergente (a diastólica diminui pq volta sangue na diástole)
- Pulso em martelo d'água
Como tratar a insuficiência aórtica
- Diurético e vasodilatador