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📚 RESUMOS E GUIAS

Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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Valvopatias

  • Características gerais da estenose
    • Problema de abertura da válvula = diminuição do volume ejetado e sobrecarga para a câmara posterior
  • Características gerais da insuficiência
    • Problema no fechamento da válvula = refluxo de sangue para a câmara posterior
    • Usar diurético e vasodilatadores

Estenose mitral

  • Qual a definição de estenose mitral
    • Defeito na abertura da valva aumentando a pressão de enchimento ventricular (sobrecarrega o átrio)
  • Como o grau da estenose mitral é avaliado
    • Por meio do ECO no qual o diâmetro do orifício é avaliado
    • 2,5 e 4 - mínima
    • 1,5 - 2,5: leve
    • 1,0 - 1,5: moderada
    • menor que 1,0: grave
  • Qual a fisiopatologia da estenose mitral
    • Fisiopatologia: geralmente ocorre após episódio de febre reumática, os folhetos da válvula tornam-se rígidos, impondo resistência à abertura. Por isso, a pressão de enchimento ventricular deve aumentar para que o sangue consiga ser ejetado do átrio para o ventrículo, com isso ocorre transmissão retrógrada dessa pressão para o pulmão. Isso leva a um quadro de hipertensão pulmonar progressiva (ocorre vasoconstrição dos vasos pulmonares como forma de resposta, que progride para hipertrofia das arteríolas até que o processo se torne irreversível), com o passar do tempo, essa transmissão atinge o VD levando à insuficiência ventricular direita com sintomas de congestão sistêmica.
    • Relação com o DC: o aumento do DC, como acontece na atividade física, faz aumentar o retorno venoso, por consequência aumenta a quantidade de sangue que chega ao AE, com isso a dispneia piora. É a valvopatia menos tolerada na gestação (aumento do volume sanguíneo). Com o passar do tempo, ocorre diminuição do DC, pois a pressão de enchimento não consegue mais ser compensada.
    • Relação com a FC: diminui o tempo de diástole, o que aumenta a pressão de AE e pode descompensar a dispneia, causando edema de pulmão. Um dos fatores que levam a esse aumento da FC é a atividade física e a fibrilação atrial
  • Quais são os sintomas da estenose mitral
    • Dilatação do AE com congestão pulmonar: dispneia, edema pulmonar, crepitação
    • Polpa VE
  • Qual a relação da estenose mitral com a hipertensão pulmonar
    • É uma das causas de hipertensão pulmonar secundária
    • Ocorre o aumento progressivo da pressão, por isso os sintomas não aparecem logo de início, pois o indivíduo consegue se adaptar a eles
  • O que acontece com o débito cardíaco ao longo da evolução da estenose mitral
    • Diminui conforme a progressão da doença, pois o gradiente de pressão transvalvar não consegue aumentar mais
  • Qual a etiologia da estenose mitral
    • febre reumática
  • Quais achados semiológicos são típicos da estenose mitral
    • Sopro diastólico em ruflar: aumento da intensidade com o decúbito semilateral esquerdo. Se for intenso pode irradiar para a axila e para o foco tricúspede. Diminui com inspiração e valsalva e aumenta com exercício
    • Hiperfonese de B1 devido à rigidez da valva ao se fechar que com o tempo evolui para hipofonese
    • Perda do desdobramento de B2
    • Estalido de Abertura (logo após B2) audível no foco tricúspede e mitral
  • Quais são as complicações da estenose mitral
    • fibrilação atrial
    • fenômenos tromboembólcios: devido principalmente a FA, deve-se fazer anticoagulação com warfarin
    • endocardite infecciosa
  • Como tratar a estenose mitral
    • Aumentar o tempo de diástole com BB, BCC e digitálicos. Usar diurético e anticoagular pelo risco de FA
  • Exames complementares
    • ECG: para identificar se o ritmo é sinusal ou se tem FA crônica
    • O que observar no coração no raio-x: duplo contorno da silhueta direita do coração pelo aumento do átrio esquerdo, deslocamento superior do brônquio fonte esquerdo (sinal da bailarina) e abaulamento do 3º arco cardíaco esquerdo
    • O que observar no pulmão no raio-x: inversão do padrão vascular e linhas B de Kerley
    • ECO: tamanho do orifício e função ventricular, grau de calcificação, espessamento, mobilidade das cúspedes e grau de comprometimento
    • Quando o cateterismo deve ser indicado: quando a clínica e o ECO são discrepantes ou quando há mais de uma valva lesada
  • Quais são os estágios classificativos da progressão da doença
    • Estágio A: fatores de risco para a doença
    • Estágio B: doença assintomática com lesão leve/moderada
    • Estágio C: doença assintomática com lesão grave
    • Estágio D: sintomático
  • Tratamento
    • Betabloqueadores: aumenta o período de diástole, por isso melhora o enchimento ventricular
    • Quando usar verapamil e diltiazem: quando os betabloqueadores forem contraindicados (hiperreatividade brônquica)
    • FA associada com choque cardiogênico: cardioversão imediata
    • FA sem choque: controlar com betabloqueador e avaliar se há necessidade de cardioversão
    • FA com tempo maior que 48h: anticoagular por 3 semanas
    • Anticoagulação: quando FA associada por tempo indeterminado, warfarin mantendo o INR 2-3 e adicionar AAS se o paciente recidivar eventos embólicos
    • Antibioticoprofilaxia: sempre antes de qualquer procedimento invasivo, incluindo procedimentos dentários
  • Terapia intervencionista
    • Indicação absoluta : paciente sintomático (classe II-IV) com estenose moderada a grave
    • Valvoplastia percutânea com balão: na ausência de trombo com morfologia favorável
    • Comissurodomia cirúrgica: aqueles que apresentam trombo após 3 meses de anticoagulação
    • Troca valvar: quando a lesão é grave, dupla lesão ou com doença coronariana associada
  • Explicação dos sintomas pela fisiopatologia
    • dispneia: aumento da pressão pulmonar
    • rouquidão: compressão do nervo laringo recorrente
    • disfagia: compressão do esôfago
    • FA: desarranjo das fibras do átrio
    • piora da dispneia com aumento da FC: diminui o tempo da diástole
  • Explicação dos componentes do sopro
    • sopro diastólico: é uma deficiência na abertura dessa valva, ela se abre durante a diástole
    • reforço pré-sistólico: contração do átrio para ejeção do sangue no final da diástole
    • estalido de abertura, estalido de abertura e hiperfonese de B1 (abertura dessa valva, como ta mais difícil, faz mais barulho)

Estenose aórtica

  • Definição de estenose aórtica
    • Dificuldade de abertura da valva aórtica que gera um gradiente pressórico entre o VE e a aorta
  • Quais são os graus de estenose
    • Leve maior que 1,5
    • Moderada entre 0,8 e 1,5
    • Grave menor que 0,8
  • Qual a fisiopatologia da fase compensada
    • Ocorre hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo como forma de aumentar o inotropismo cardíaco, com isso a força de contração é suficiente para vencer o gradiente pressórico. Com o tempo esse mecanismo se perde e a doença evolui para uma insuficiência cardíaca
    • Esse mecanismo auxilia para manter a pós-carga igual antes = área da cavidade menor e espessura da parede maior
  • Qual a fisiopatologia da fase descompensada
    • Mecanismos da isquemia: o aumento da massa muscular faz com que ocorra compressão dos vasos coronarianos, além do suprimento ser insuficiente, principalmente durante o exercício físico
    • Arritmias: áreas de fibrose que não conduzem direito
    • Débito cardíaco fixo e síncope: a saída é fixa, logo o fluxo que sai também é fixo, portanto no exercício o DC não compensa o aumento da FC e da vasodilatação periférica, por isso ocorre síncope
    • Insuficiência cardíaca congestiva: estágio evolutivo no qual a hipertrofia de VE não consegue mais compensar o DC, além disso, o gradiente pressórico é transmitido retrogradamente gerando uma IC congestiva sistêmica e pulmonar
  • Quais são as 3 etiologias
    • valva bicúspede congênita
    • degeneração calcífica (relacionada a aterosclerose)
    • doença reumática
  • Qual a tríade clássica dos sintomas da estenose aórtica
    • Angina + síncope + dispneia
    • Baixo débito cardíaco, síncope, TEC aumentado, pode causar choque, IC e dor anginosa (óstio das coronárias não recebe fluxo adequado)
    • Polpa o átrio esquerdo
  • Quais achados semiológicos são típicos da estenose aórtica
    • Sopro mesossistólico ejetivo, em diamante que irradia para as carótidas - mais intenso no meio da sístole
    • A intensidade do sopro aumenta com manobrar que aumentam o retorno venoso e diminuem com as que diminuem o retorno venoso
    • manobra de valsalva: diminui o retorno venoso e diminui a intensidade do sopro, enquanto que na miocardiopatia hipertrofica o sopro fica mais audível
    • Hiperfonese de B2
    • Pulso parsus tardus: ascensão lenta e baixa amplitude
  • Quais são as complicações
    • Tromboembolismo
    • Endocardite infecciosa
    • Hemorragia digestiva baixa
  • Exames complementares
    • ECG: sobrecarga ventricular esquerda, padrão de Strain (infra de ST com T negativa)
    • ECO: gradiente pressórico e nível da estenose
  • Tratamento
    • Vasodilatadores: não devem ser utilizados, pois não consegue aumentar o DC, causam hipotensão
    • Diuréticos: devem ser usados com cautela na síndrome congestiva, pois podem reduzir o DC
    • Betabloqueadores: são contraindicados
    • Fibrilação atrial: cardioversão
    • Não tratar, evitar medicamentos BB e vasodilatadores
    • Na emergência usar betabloqueador em níveis baixos e diurético (furosemida)
  • Quais são as indicações de troca valvar
    • Indicações absolutas: pacientes com lesão grave, sintomáticos, que irão fazer outro tipo de cirurgia cardíaca ou com função de ejeção menor que 50%
    • Escolha do tipo de prótese: adultos acima de 60 preferir prótese biológica por não precisar anticoagular, enquanto para jovens é melhor usar a prótese mecânica, detalhe para mulheres em idade gestacional, pois os novos anticoagulantes orais são contraindicados

Insuficiência mitral

  • Quais os sintomas da insuficiência mitral
    • Sobrecarga de AE
    • Congestão pulmonar
  • Quais achados semiológicos são típicos da insuficiência mitral

  • Como tratar a insuficiência mitral
    • Vasodilatadores para diminuir a RVP

Insuficiência aórtica

  • Quais os sintomas da insuficiência aórtica
    • Sobrecarga de volume para o VE = IC
    • Congestão pulmonar
  • Quais achados semiológicos são típicos da insuficiência mitral
    • PA divergente (a diastólica diminui pq volta sangue na diástole)
    • Pulso em martelo d'água
  • Como tratar a insuficiência aórtica
    • Diurético e vasodilatador

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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