Trauma abdominal
Órgãos lesionados
- fígado por arma branca
- intestino delgado por arma de fogo
Exames complementares
- Seguir princípios do ATLS na abordagem inicial.
- Avaliação inicial com ABCDE do trauma.
- Paciente hemodinamicamente instável: FAST (ultrassom focado) na avaliação inicial.
- Paciente hemodinamicamente estável: tomografia abdominal com contraste.
Indicações de laparotomia
- Abdome cirúrgico penetrante: peritonite, choque e evisceração
- Abdome cirúrgico contuso: peritonite, pneumoperitônio e retropneumoperitônio
- Abdome não cirúrgico penetrante por arma de fogo: sempre fazer
- Abdome não cirúrgico penetrante por arma branca:
- exploração digital positiva para violação do peritônio:
- hemograma de 8/8h: se decair 3 unidades
- exame físico seriado: se tornar um abd cirurgico
- conduta: considerar tc com contraste ou lavado
- exploração digital negativa: sutura simples com antitetânica
- exploração digital positiva para violação do peritônio:
- Abdome não cirúrgico contuso
- hemodinamicanete estável: fazer fast antes de encaminhar para a TC, pois 30% dos pacientes descompensam durante o exame
- hemodinamicamente instável que só apresenta lesão abdominal: laparotomia
- hemodinamicamente instável politraumatizado: fast ou lavado para tentar localizar outro possível sítio de sangramento
Quando indicar a conduta conservadora
1- hemodinamicamente estável
2- não pode ter abd cirúrgico
3- hospital com assistência
Lesão de diafragma
- geralmente se apresenta na TC quando existe herniação associada
- conduta geralmente é a laparoscopia
- é a região compreendida entre a linha mamilar e o contorno das costelas na parte anterior e ao final da escápula e contorno das costelas na parte posterior
Lesão de baço
- sinal de Kehr: dor referida no ombro que sugere hemoperitônio
- indicação de laparotomia quando a lesão de baço vista na TC é superior ao grau V
- a cirurgia de escolha é a esplenectomia total
- quando há escape de contraste na tc = sangramento = angioembolização
- grau V = pulverização, a lesão rompeu a cápsula
- colocar dreno se pancreatite associada
- vacinar contra pneumo, meningo e haemphylus
Lesão de fígado
- cirurgia quando lesão acima de grau VI, outras lesões faz-se angioembolização, se não estabilizar parte para a laparotomia
- a conduta é a ressecção segmentar
- quando o sangramento não para realizar a manobra de Pringle que clampeia o coledoco, a artéria hepática e a veia porta hepática, se não resolver o sangramento é proveniente das veias hepáticas ou da cava inferior retro-hepática
Lesão de duodeno
- laceração: sinal de pneumoperitônio, nos exames de imagem aparecem ar contornando os rins, a conduta é laparotomia, no exame do toque retal crepitações são percebidas
- contusão: hematoma que obstrui a luz do vaso, sintomas de náuseas e vômito, descompressão gástrica com nutrição paraenteral total por 10 dias, se não melhorar realizar laparotomia
- rx com lesão clássica de mola em espiral ou moeda empilhada
- tc mostra duodeno espessado
Lesão de pâncreas
- com lesão à esquerda da veia mesentérica superior = corpo e cauda, realizar pancreatectomia corpo caudal com colocação de dreno
- com lesão à direita da veia mesentérica superior = cabeça, realizar duodenopancreatectomia com colocação de dreno
- lesão simples: reparo + dreno
Lesão de intestino delgado
- marca do sinto de segurança
- lesão pequena: menos de 50% da circunferência da área = rafia primária
- lesão grande: ressecção + anastomose
Lesão de intestino grosso
- principalmente no colo transverso
- segue o mesmo padrão de gravidade da lesão do delgado
- colonostomia de proteção quando hipotensão, de 4-6 bolsas de sangue ou quando a cirurgia foi feita depois de 4-6 com contaminação local e peritonite
Lesão de reto
- sempre colocar bolsa de colostomia
- é comum a lesão por empalamento (tentativas de retirada)
Lesão de uretra
- sinais que contraindicam a colocação do cateter
- realizar uretrografia retrógrada
- os segmentos posteriores (prostático e membranoso) geralmente são lesionados pelo trauma de pelve
- já o segmento anterior bulbar é lesionado pela queda a cavaleiro e o peniano por trauma de pênis, objeto penetrante ou mordedura
- quando de pelve que causou o trauma de uretra for grave, fazer cistostomia aberta
Lesão de bexiga
- diagnosticada pela cistostomia retrógada que evidencia o escape de contraste, não tem o contorno da bexiga quando a lesão é intraperitoneal (pressão do sinto de segurança), e há escape por baixo quando é retroperitoneal (fratura de pelve)
- intra = laparotomia
- extra = cateter por 14 dias
Tríade letal do trauma
- hipotermia + coagulopatia + acidose devido à hipovolemia
- controle de danos: realizar a cirurgia somente do que coloca a vida do paciente em risco imediato, o restante deve ser tratado quando o paciente estiver mais estável
Síndrome compartimental
- ocorre quando a pressão intra-abdominal ultrapassa 21mmHg
- a conduta inicial é de colocar o paciente em posição supina, reposição volêmica controlada e paracentese
- quando evoluir com insuficiência respiratória, choque ou outra descompensação = realizar descompressão = abrir o compartimento e colocar bolsa de bogotá
Trauma vascular abdominal
- sempre que for um trauma penetrante deve-se fazer a exploração local
- no trauma contuso zona 1 sempre explorar (aorta e cava)
- zona 2 explorar se o hematoma estiver expandindo (rim ou adrenal)
- zona 3 explorar se expandindo ou exsanguinação (fratura de pelve)