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Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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Choque

Classificação principal do choque: hipovolêmico, distributivo, cardiogênico e obstrutivo.

  • Qual a definicao de choque
    • hipoxia tecidual e orgânica
    • Pode levar a falência de múltiplos órgãos e morte
  • Qual o mecanismo fisiopatológico do choque
    • diferença entre oferta e demanda de O2
    • Disfunção de O2 no pulmão
    • Disfunção mitocondrial de oferta de oxigênio
    • Órgãos com menor densidade capilar sao os primeiros a sofrerem as consequências do choque
    • Existe inicialmente uma tentativa de compensação clinica, porem a disfunção orgânica leva a uma exacerbação da resposta inflamatória ao choque, gerando mais disfunção orgânica
  • Quais são os critérios clínicos para diagnostico do choque

    Avaliação da perfusão tecidual por meio:

    1- pressão arterial media

    2- débito urinário (menor que 0,5ml/kg/h)

    3- nível de consciência

    4- tempo de enchimento capilar

    5- perfusão da pele / presença de livedo (pele fria e pegajosa, palidez)

    6- cianose

    7- lactato sérico (medida indireta de acidose)

    8- pH e diferença de bases

    9- saturação de oxigênio

    10- hipotensão (pela medida da PAS < 90 ou da PAM < 70 associado a taquicardia)

  • Critérios para o estabelecimento de choque
    • aparência ruim (pele)
    • Alteracao mental
    • Hipotensão maior que 30 min
    • Taquicardia > 100
    • Frequência respiratória > 20
    • Débito urinário diminuído
    • Lactato > 4 mol/L ou > 32mg/do
    • Excesso de bases < -4 mEq/L
  • Choque hipovolêmico
    • causado pela diminuição do volume intravascular, pode ser por causas hemorrágicas ou por perda de liquido (gastrointestinal, renal e queimaduras)
    • O mais comum é o hemorrágico causado pelo trauma (taquicardia é um sinal mais precoce que hipotensão)
    • Aumento da resistência vascular periférica (extremidade cardíaca) e diminuição do débito cardíaco
  • Choque cardiogênico
    • falencia da bomba cardíaca diminuindo o debito cardíaco. Extremidades mal perfundidas com diminuição do DC e aumento da RVS (pode chegar normotenso ou hipertenso, nao é um bom parâmetro diagnostico em pacientes cardiopatas). Observar estase julgar e congestão pulmonar, alem de histórico de cardiopatia
    • Causa: IAM, arritmias, insuficiência valvar grave, IC descompensada, tamponamento cardíaco
  • Choque distributivo
    • vasodilatação periférica grave com queda da resistência vascular sistêmica
    • “Choque quente” - diminuição da RVS com vasodilatação, aumento do debito cardíaco, periferia com mais sangue (fase inicial)
    • Grande queimado pela perda de fluido (entra também no hipovolêmico)
    • Grandes inflamações: pos PCR e pancreatite
    • séptico: devido a infecção, o choque séptico é uma sepse que não responde a reposição volemica, necessitando de drogas vasopressoras. Caracteriza-se por lactato elevado
    • Choque neurogênico: geralmente ocorre nos traumas nos quais há comprometimento da coluna (raquimedular). Ocorre perda da aferencia autonômicas, com diminuição do tônus vagal e da resistência vascular periférica. Hipotensão + bradicardia (disautonomia)
    • Choque anafilático: degranulacao dos mastócito que causa uma vasodilatação periférica junto com obstrução de via aérea. Alergênico + instalação súbita
    • Choque endócrino: tireotoxicose (IC de alto debito), hipovolemia mediana pela deficiência de aldosterona
    • Choque por intoxicação por cianeto ou monóxido de carbono, impede a perfusão tecidual a nível da hemoglobina
  • Choque obstrutivo
    • causas extra-cardíacas
    • Causas vasculares: insuficiência ventricular direita por TEP (taquis, dessaturacao, procurar sinais de TVP) ou IAM de VD, tamponamento cardíaco (trauma, uremia, infecção - colaba primeiro o lado direito)
    • Mecanica: pneumotórax hipertensivo (trauma ou IOT com aumento de pressão para ventilar), tamponamento cardíaco (tríade de Beck - hipotensão, hipofonese e turgência de jugular), pericardite constritiva e cardiomiopatia restritiva
  • Fluxograma de diagnostico do choque
  • Tratamento
    • reposição volemica com SF ou ringer
    • Droga vasoativa
    • Tratar a causa base

Manejo inicial: ABCDE, acesso venoso e reposição volêmica quando indicada.

  • Fluxograma do tratamento das causas bases dos tipos de choque
  • Critérios diagnósticos de sepse
    • histórico de infecção com piora aguda
    • Definição: infecção com disfunção de sistema orgânico de forma progressiva, reconhecer o primeiro sistema comprometido
    • Como reconhecer a sepse no pronto socorro: SEPSIS - 2 (4 de 2 critérios) muito sensível e pouco especifico
      • FC > 90
      • FR > 20
      • Leucocitose com desvio + neutrofiia
      • Temperatura
    • SEPSIS - 3, mais especifico
      • Q-SOFA (2/3 variáveis)
      • Nível de consciência
      • FR > 22 (acidose/hiperventilação)
      • PAS < 100 mmHg
    • Neurológico: rebaixamento
    • Respiratório: taquipneia
    • Cardiovascular: taquicardia
    • Hemodinâmico: sudorese, pele fria, livedo reticular, aumento do tempo de enchimento capilar
    • Renal: diurese menor que 0,5ml/kg/h
    • Hepático: aumento de bilirrubina (sinal mais tardio)

Sepse: disfunção orgânica causada por resposta desregulada à infecção; usar SOFA ou qSOFA para avaliação de gravidade.

  • Critérios diagnósticos de choque séptico
    • choque séptico: hipotensão refrataria a volume + lactato elevado 18mg/dl ou 2ml/mol
    • Necessidade de DVA
    • Tempo de enchimento capilar elevado
    • Foco pulmonar mais comum em paciente da comunidade
    • Lembrar de foco urinário, intestinal e partes moles
    • Foco sanguíneo em pacientes internados com dispositivos de longa data e em pacientes em dialise

  • Como manejar um choque séptico
    • Monitorizar + acesso + oxigênio se necessário (desconforto respiratório) + passagem de SVD para quantificar diurese
    • Avaliar necessidade de reposição volemica e avaliar resposta
      • Expansão volemica 30ml/kg
      • Sinais de hipervolemia ou IC: diminuir a quantidade de volume
    • Protocolo q-SOFA como critérios diagnósticos
    • Pesquisar foco infeccioso
    • Avaliar comorbidades + alergias + MEU
    • Solicitar exames: hemograma com plaqueta, coagulograma, gaso arterial com lactato, função renal, eletrólitos, função hepática, hemocultura e exames direcionados ao foco infeccioso (EAS, raio-x de tórax, raio-x de abdome agudo)
    • Após cultura iniciar antibiótico
      • Foco pulmonar: Ceftriaxona 2g + azitro/claritromicina (levofloxacino em alergias)
      • ITU: Ceftriaxona
      • Cateter: oxa + vanco
      • Celulite: oxa (cobrir aureus)
    • SF (risco de acidose metabólica hipercloremica) pode ser usado no lugar do RL
    • Após reavaliação, manteve hipotensão = choque séptico
      • contraindicar nova expansão
      • Entrar com DVA
      • Iniciar nora em AVP
      • Solicitar passagem de CVC
      • Nora de 0,3 ml/kg/min, após essa dose associar vasopressina
    • Hidrocortisona: pode ser usada no choque refratário devido a uma insuficiência adrenal relativa. 100mg em bolus ou 50mg 6/6h

Iniciar antibiótico o mais precocemente possível e ressuscitação volêmica inicial com cristaloides.

  • Drogas vasoativas
    • todas as drogas devem ser feitas em bomba de infusão
    • Diluídas em SF ou SG5%
    • Uso por acesso venoso central, altas doses de nipride, tridi e dobuta tem que passar CVC por isso de perda do acesso
    • Noradrenalina
      • Receptores alfa
      • Paciente hipotensão pelo efeito vasopressor
      • Escolha para pacientes hipervolemicos
      • 4 ou 8 ampolas diluídas em 250 de SF
      • Velocidade de infusão: 1 ml/hr = 1 a 2 mcg/min (dividir pelo peso do paciente para ter a dose em mcg)
      • Iniciar com 5ml/h no paciente de 70kg
      • Sem dose máxima
    • Adrenalina:
      • Receptor alfa = vasopressor
      • Receptor beta = inotropico (melhora a contração ventricular, melhorando o DC) e cronotropico (melhora da FC)
      • Usada na PCR, pré-PCR, bradicardia com hipotensão e anafilaxia
      • Bolus em situação de anafilaxia ou PCR (situações de urgência sem acesso pronto)
      • Diluição 6 amp + 100 ml de SF
      • Velocidade de infusão = 1ml/h = 1mcg/min
      • Bomba de infusão
    • Vasopressina:
      • Efeito puramente vasopressor
      • 1 amp (20UI) + 100 ml SF
      • 3 ml/h = 0,001 UI/min (dose máxima de 0,06UI/min)
      • Droga de escolha no choque distributivo, associar com nora (nora > 0,3)
    • Dobutamina:
      • Receptor beta
      • Inotropico e cronotropico +
      • Efeito vasodilatador discreto em baixas doses
      • Droga de escolha do choque cardiogênico
      • 4 amp + 170ml de SF
      • 1ml/h = 1mcg/kg/min
      • Dose inicial de 2,5/20mg/kg/min
      • Droga que causa taquicardia, por isso nao tem beneficio acima da dose limite
    • Nitroglicerina - tridil
      • Vasodilatador endovenoso, dilatação coronariana
      • 1 amp = 250ml de S
      • Dose de 0,5-10mcg/kg/min
      • Uso principal: antianginoso
    • Nitroprussiato - nipride
      • Vasodilatador arterial
      • Controle de PA = emergências hipertensivas por ser fácil de titular (nao começar com dose alta, aumentar de acordo com a resposta do paciente)
      • 1 amp + 250 ml de SF
      • 10 ml/h = 0,5mcg/kg/min
      • Dose 0,5-10mcg/kg/min
  • FLASH CARDS
    • quais os 3 critérios do q-SOFA: rebaixamento do nível de consciência, FR > 22 e PAS < 100
    • ATB de escolha para foco pulmonar
    • Valor de lactato para choque séptico
    • Quais os efeitos de cada droga

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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