Doença inflamatória intestinal
Apresentação clínica
- Quadro geral das duas patologias: diarreia, tenesmo, muco, sangue, dor abdominal em cólica, perda ponderal, anemia e desidratação.
- Não são limitadas ao intestino, apresentando manifestações sistêmicas
- Geralmente existe uma historia familiar associada
- Pioram com uso de AINE
- Doença de Crohn piora com o cigarro e RCU geralmente piora se a pessoa parar de fumar
Fatores de risco
- Histórico familiar
- ACO e AINE
- Tabagismo
Fator protetor: apendicectomia e amamentação
Tabagismo
- Doença de Crohn: piora com o cigarro
- RCU: tabagismo como fator protetor
Localização DC x RCU
- DC: pega todo o TGI desde a boca até o anos, local mais comum sendo o íleo terminal
- RCU: específico para reto e cólon
Profundidade das lesões
- RCU: superficial - mucosite
- Crohn: ulceras profundas = transmural (não tem limites)
Macroscopia
- RCU: úlceras continuas que começam no reto
- DC: não tem caminho linear, lesões salpicadas (pedra de calçamento)
Microscopia
- RCU: inflamação das criptas da mucosa intestinal - inespecífico
- DC: granuloma não caseoso
Diagnósticos diferenciais
Doença celíaca, síndrome do intestino irritável, intolerância à lactose, parasitose intestinal, apendicite complicada, criptosporidiase e isosporidiase (DD para paciente imunocomprometido).
Como fazer o diagnóstico
- Sintomas clínicos como o tempo da diarreia, quantas evacuações por dia, presença de muco/sangue e sinais sistêmicos. Além disso é preciso fazer colonoscopia + biópsica para evidenciar lesões sugestivas de DII e afastar outros diagnósticos.
- O diagnóstico leva em consideração a apresentação clínica + achados radiológicos (fistulas e estenoses) + biópsia do trato gastro intestinal
Quais os tipos de abdome agudo
- Obstrutivo: fecaloma, massa intestinal, vermes
- Inflamatório: megacólon tóxico, apendicite
- Isquêmico: trombo, hipovolemia, choque
- Perfurativo: diverticulite, fistulas de alças intestinais
- Infeccioso
Quais exames laboratoriais e de imagem devem ser feitos
- Laboratoriais: hemograma, leucograma, ureia, creatinina, eletrólitos, PCR e VHS, TGO, TGP, fosfatase alcalina, protoparasitológico de fezes com pesquisa de Clostridium, marcadores fecais (calprotectina e lactoferrina)
- Avaliação nutricional: vitamina B12, ácido fólico, proteínas totais, albumina, zinco e perfil de ferro
- Para pacientes que irão iniciar o tratamento com imunossupressores e imunobiológicos devem realizar: anti-HIV, sorologia para hepatites, PPD e raio-x de tórax para afastar lesão sugestiva de tuberculose
- De imagem:
- endoscopia e colonoscopia: avaliar padrão das lesões, avaliar o estadiamento da doença e coletar biópsia
- Enterografia por RNM ou RC para avaliar complicações como fístulas, estenoses e abscesso
- RNM de pelve, principalmente na suspeita de DC devido ao aparecimento de fístulas nessa região
Quais são os marcadores sorológicos laboratoriais específicos
- Anticorpo anti-Saccharomyciscereviriae ASCA mais presente da doença de Crohn
- Anticorpo anti citoplasma de neutrófilo perinuclear p-ANCA mais presente nos casos de RCU
Como diferenciar Crohn de Retocolite pela clínica
- Doença de Crohn os sintomas são mais brandos, não possui sangue ou muco nas fezes, as evacuações não são explosivas. Possui mais manifestações em outros sistemas que a RCU. Tem envolvimento do anus com dor ou fistula
- RCU há grande número de evacuações explosivas, cólica abdominal e presença de sangue e muco.
Como diferenciar Crohn e Retocolite pelo anatomopatológico
- Crohn: todo TGI é acometido, possui úlceras de aspecto aftoide e as lesões são contínuas, como pedra de calçamento, forma granuloma não caseoso e geralmente há lesões perianais
- RCU: o acometimento ocorre no reto e no cólon, as úlceras são mais rasas e há pseudopólipos
Complicações
- RCU: colite e megacolon
- DC: fistula em todo TGI, estenose intestinal, abscesso abdominal
CA de cólon
- RCU: aumenta mais a chance de desenvolver
- DC: baixo risco se comparado a RCU
Doença de Crohn
DC
- Acomete todo o TGI (incluindo boca e anus)
- Transmural (pega toda a parede)
- Padrão salteado em pedra de calçamento
- Localização mais comum no íleo distal e começo do cólon
- Úlceras aftoides
- Pode causar estenose com obstrução intestinal
- Pode causar fistulas por ser transmural
- Fissura perianal
- Pode apresentar granuloma nao caseoso
- ASCA
Mau pronóstico
- Pacientes jovens no momento do diagnóstico
- Tabagismo
- Presença de lesões anais complexas
- Necessidade inicial de corticoides
- Envolvimento extenso do intestino delgado
- Lesões endoscoópicas graves
Qual o local mais comum de acometimento da DC
- Íleo proximal e ceco
Tratamento para DC
O tratamento pode começar com top down ou step up a depender de como o quadro se inicia.
No step up:
- Uso de corticoide sistêmico (predinisona) + azatioprina (imunomodulador) + ATB
- Uso de imunobiológico, pode ser monoterapia ou associação
- Depois manter o imunomodulador e retirar o corticoide
Quais os sinais de gravidade da DC
- Fístulas e estenoses
Complicações do Crohn
- Fistulas e estenoses
Retocolite ulcerativa
RCU
- Pega retocolon
- Pega só a mucosa, causando erosões
- Ascendente e continua
- Poupa anus
- Pancolite
- Pega delgado quando tem ileite de refluxo com sd disabsortiva
- Erosões com sangramentos
- Perda das haustracoes devido a inflamação (edema)
- Aparecimento de pseudopolipos
- P-anca
Mau prognóstico
- Pacientes jovens no momento do diagnóstico
- Envolvimento pancolonico
- Atividade endoscópica intensa com úlceras graves
- Necessidade de hospitalização
- Hipoalbuminemia
- PCR elevado
Qual o local mais comum de acometimento da RCU
- Cólon e reto
Manifestações extraintestinais
R resposta imune com febre e leucocitose
C colangite esclerosante
U uveíte
E eritema nodoso e pioderma gangrenoso
D dor articular - espondilite anquilosante
C Cálculos renais e biliares
Quais os fatores de mau prognóstico
- Idade < 40 anos
- Abrir o quadro com pancolite (acometimento > 100cm)
- Uso de corticoide no início do tratamento
- Fistulas perianais
- Ulceras profundas
Quais os sinais de gravidade para RCU
- Megacólon tóxico (dissociação com o peristaltismo que favorece a translocação bacteriana)
- Abdome agudo
- Sinais de choque: rebaixamento do nível de consciência, sepse e diminuição da diurese. Ligado ao megacólon
- CEP (colangite esclerosante primária)
Tratamento para RCU
- Casos leves: começar com derivados do 5ASA por uso tópico ou sistêmico, ATB quando necessário (cipro + metro ou amoxi + clavu) e corticóide
- Casos moderados: 5ASA oral (mesalazina) + corticóde (predinisona) + imunomodulador (azatiprina ou metrotrexate)
- Casos graves: imunobiológico + todos os outros juntos
- Depois manter imunomodulador + 5ASA
Complicações da RCU
- Megacólon tóxico
Considerações gerais
Sinais de megacólon tóxico e como tratar
- Dor abdominal, massa palpável, irritação peritoneal, febre e sinais de sepse
- Em casos nos quais o paciente está estável pode iniciar terapia com corticoide EV (hidrocortisona ou metilprednisona) e avaliar a resposta em 3-5 dias
- Corrigir distúrbios hidroeletrolíticos, hidratação adequada, profilaxia para trombose com heparina, dieta VO e transfusão sanguínea quando necessária
- Investigar infecção por Clostridium e citomegalovírus
- Opção por cirurgia nos casos que não respondem a medicação ou paciente grave com risco de perfuração abdominal
Quais são as indicações de uso de corticoide
- Início de toda doença para indução da remissão clínica em atividade. É usado quando a doença está ativa e depois é substituído por imunomodulador ou 5-ASA na manutenção
- Não estão indicados como terapia de manutenção, pois tem baixo índice de cicatrização da mucosa
Quais são as indicações de uso dos aminossalicicatos
- Mesalazina ou sulfassalazina
- RCU casos leves e moderados na fase aguda ou de manutenção
- Não atuam tão bem na doença de Crohn
- Mesalazina: pode ser usada terapia VO nos casos moderados e combinada com supositórios, o uso combinado é mais efetivo
- Sulfassalazina: pode ser usada tanto na fase aguda como na manutenção
Quais são as indicações de uso dos imunossupressores
- Exemplo: azatioprina e metotrexato
- Quando abre o caso com pancolite um fulminante
- Quando paciente tem critérios de mau prognóstico
- Quando corticoide dependente ou refratário
- Em substituição ao corticoide como terapia de manutenção
- Azatioprina: início de ação lento após 2-3 semanas, indicado como droga de manutenção
- Risco de linfoma, neoplasia renal e cancer de pele
- Metotrexato: reservado a casos específicos de DC. O efeito de cicatrização da mucosa é menor quando se comparado a azatioprina
- Teratogenico, mielotoxico e hepatotóxico
Quais são as indicações de uso dos imunobiológicos
- Em casos graves que não controlam com os medicamentos acima
- Mau prognóstico
- Manifestações extraintestinais
- Quando tem fistula e estenose na DC
- Exemplos: infliximabe
Quais antibióticos são prescritos na doença grave e fulminante
- Metronidazol + ciprofloxacino / ceftriaxona
- Amoxi + clavu
Quais as possíveis evoluções do tratamento
- Remissão: quando após o tratamento há regressão da inflamação no anatomopatológico
- Recidiva: períodos de agudização
- Dependente: quando não controla sem corticoide
- Refratário: quando não controla com corticoide
Qual profilaxia que deve ser feita antes de iniciar o uso de imunossupressores
- Ivermectina para estrongilóides
- Conferir cartão vacinal para: papilomavírus, varicela, influenza, pneumococo e hepatite B
- Não realizar vacinas com vírus vivo ou atenuado após o início do tratamento
Material consultado
- Manual do residente de clinica médica USP terceira edição
- Robins e Cotran Patologia
- Aulas da faculdade