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📚 RESUMOS E GUIAS

Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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Doença inflamatória intestinal

  • Apresentação clínica
    • Quadro geral das duas patologias: diarreia, tenesmo, muco, sangue, dor abdominal em cólica, perda ponderal, anemia e desidratação.
    • Não são limitadas ao intestino, apresentando manifestações sistêmicas
    • Geralmente existe uma historia familiar associada
    • Pioram com uso de AINE
    • Doença de Crohn piora com o cigarro e RCU geralmente piora se a pessoa parar de fumar
  • Fatores de risco
    • Histórico familiar
    • ACO e AINE
    • Tabagismo

    Fator protetor: apendicectomia e amamentação

  • Tabagismo
    • Doença de Crohn: piora com o cigarro
    • RCU: tabagismo como fator protetor
  • Localização DC x RCU
    • DC: pega todo o TGI desde a boca até o anos, local mais comum sendo o íleo terminal
    • RCU: específico para reto e cólon
  • Profundidade das lesões
    • RCU: superficial - mucosite
    • Crohn: ulceras profundas = transmural (não tem limites)
  • Macroscopia
    • RCU: úlceras continuas que começam no reto
    • DC: não tem caminho linear, lesões salpicadas (pedra de calçamento)
  • Microscopia
    • RCU: inflamação das criptas da mucosa intestinal - inespecífico
    • DC: granuloma não caseoso
  • Diagnósticos diferenciais

    Doença celíaca, síndrome do intestino irritável, intolerância à lactose, parasitose intestinal, apendicite complicada, criptosporidiase e isosporidiase (DD para paciente imunocomprometido).

  • Como fazer o diagnóstico
    • Sintomas clínicos como o tempo da diarreia, quantas evacuações por dia, presença de muco/sangue e sinais sistêmicos. Além disso é preciso fazer colonoscopia + biópsica para evidenciar lesões sugestivas de DII e afastar outros diagnósticos.
    • O diagnóstico leva em consideração a apresentação clínica + achados radiológicos (fistulas e estenoses) + biópsia do trato gastro intestinal
  • Quais os tipos de abdome agudo
    • Obstrutivo: fecaloma, massa intestinal, vermes
    • Inflamatório: megacólon tóxico, apendicite
    • Isquêmico: trombo, hipovolemia, choque
    • Perfurativo: diverticulite, fistulas de alças intestinais
    • Infeccioso
  • Quais exames laboratoriais e de imagem devem ser feitos
    • Laboratoriais: hemograma, leucograma, ureia, creatinina, eletrólitos, PCR e VHS, TGO, TGP, fosfatase alcalina, protoparasitológico de fezes com pesquisa de Clostridium, marcadores fecais (calprotectina e lactoferrina)
    • Avaliação nutricional: vitamina B12, ácido fólico, proteínas totais, albumina, zinco e perfil de ferro
    • Para pacientes que irão iniciar o tratamento com imunossupressores e imunobiológicos devem realizar: anti-HIV, sorologia para hepatites, PPD e raio-x de tórax para afastar lesão sugestiva de tuberculose
    • De imagem:
      • endoscopia e colonoscopia: avaliar padrão das lesões, avaliar o estadiamento da doença e coletar biópsia
      • Enterografia por RNM ou RC para avaliar complicações como fístulas, estenoses e abscesso
      • RNM de pelve, principalmente na suspeita de DC devido ao aparecimento de fístulas nessa região
  • Quais são os marcadores sorológicos laboratoriais específicos
    • Anticorpo anti-Saccharomyciscereviriae ASCA mais presente da doença de Crohn
    • Anticorpo anti citoplasma de neutrófilo perinuclear p-ANCA mais presente nos casos de RCU
  • Como diferenciar Crohn de Retocolite pela clínica
    • Doença de Crohn os sintomas são mais brandos, não possui sangue ou muco nas fezes, as evacuações não são explosivas. Possui mais manifestações em outros sistemas que a RCU. Tem envolvimento do anus com dor ou fistula
    • RCU há grande número de evacuações explosivas, cólica abdominal e presença de sangue e muco.
  • Como diferenciar Crohn e Retocolite pelo anatomopatológico
    • Crohn: todo TGI é acometido, possui úlceras de aspecto aftoide e as lesões são contínuas, como pedra de calçamento, forma granuloma não caseoso e geralmente há lesões perianais
    • RCU: o acometimento ocorre no reto e no cólon, as úlceras são mais rasas e há pseudopólipos
  • Complicações
    • RCU: colite e megacolon
    • DC: fistula em todo TGI, estenose intestinal, abscesso abdominal
  • CA de cólon
    • RCU: aumenta mais a chance de desenvolver
    • DC: baixo risco se comparado a RCU

Doença de Crohn

  • DC
    • Acomete todo o TGI (incluindo boca e anus)
    • Transmural (pega toda a parede)
    • Padrão salteado em pedra de calçamento
    • Localização mais comum no íleo distal e começo do cólon
    • Úlceras aftoides
    • Pode causar estenose com obstrução intestinal
    • Pode causar fistulas por ser transmural
    • Fissura perianal
    • Pode apresentar granuloma nao caseoso
    • ASCA
  • Mau pronóstico
    • Pacientes jovens no momento do diagnóstico
    • Tabagismo
    • Presença de lesões anais complexas
    • Necessidade inicial de corticoides
    • Envolvimento extenso do intestino delgado
    • Lesões endoscoópicas graves
  • Qual o local mais comum de acometimento da DC
    • Íleo proximal e ceco
  • Tratamento para DC

    O tratamento pode começar com top down ou step up a depender de como o quadro se inicia.

    No step up:

    • Uso de corticoide sistêmico (predinisona) + azatioprina (imunomodulador) + ATB
    • Uso de imunobiológico, pode ser monoterapia ou associação
    • Depois manter o imunomodulador e retirar o corticoide
  • Quais os sinais de gravidade da DC
    • Fístulas e estenoses
  • Complicações do Crohn
    • Fistulas e estenoses

Retocolite ulcerativa

  • RCU
    • Pega retocolon
    • Pega só a mucosa, causando erosões
    • Ascendente e continua
    • Poupa anus
    • Pancolite
    • Pega delgado quando tem ileite de refluxo com sd disabsortiva
    • Erosões com sangramentos
    • Perda das haustracoes devido a inflamação (edema)
    • Aparecimento de pseudopolipos
    • P-anca
  • Mau prognóstico
    • Pacientes jovens no momento do diagnóstico
    • Envolvimento pancolonico
    • Atividade endoscópica intensa com úlceras graves
    • Necessidade de hospitalização
    • Hipoalbuminemia
    • PCR elevado
  • Qual o local mais comum de acometimento da RCU
    • Cólon e reto
  • Manifestações extraintestinais

    R resposta imune com febre e leucocitose

    C colangite esclerosante

    U uveíte

    E eritema nodoso e pioderma gangrenoso

    D dor articular - espondilite anquilosante

    C Cálculos renais e biliares

  • Quais os fatores de mau prognóstico
    • Idade < 40 anos
    • Abrir o quadro com pancolite (acometimento > 100cm)
    • Uso de corticoide no início do tratamento
    • Fistulas perianais
    • Ulceras profundas
  • Quais os sinais de gravidade para RCU
    • Megacólon tóxico (dissociação com o peristaltismo que favorece a translocação bacteriana)
    • Abdome agudo
    • Sinais de choque: rebaixamento do nível de consciência, sepse e diminuição da diurese. Ligado ao megacólon
    • CEP (colangite esclerosante primária)
  • Tratamento para RCU
    • Casos leves: começar com derivados do 5ASA por uso tópico ou sistêmico, ATB quando necessário (cipro + metro ou amoxi + clavu) e corticóide
    • Casos moderados: 5ASA oral (mesalazina) + corticóde (predinisona) + imunomodulador (azatiprina ou metrotrexate)
    • Casos graves: imunobiológico + todos os outros juntos
    • Depois manter imunomodulador + 5ASA
  • Complicações da RCU
    • Megacólon tóxico

Considerações gerais

  • Sinais de megacólon tóxico e como tratar
    • Dor abdominal, massa palpável, irritação peritoneal, febre e sinais de sepse
    • Em casos nos quais o paciente está estável pode iniciar terapia com corticoide EV (hidrocortisona ou metilprednisona) e avaliar a resposta em 3-5 dias
    • Corrigir distúrbios hidroeletrolíticos, hidratação adequada, profilaxia para trombose com heparina, dieta VO e transfusão sanguínea quando necessária
    • Investigar infecção por Clostridium e citomegalovírus
    • Opção por cirurgia nos casos que não respondem a medicação ou paciente grave com risco de perfuração abdominal
  • Quais são as indicações de uso de corticoide
    • Início de toda doença para indução da remissão clínica em atividade. É usado quando a doença está ativa e depois é substituído por imunomodulador ou 5-ASA na manutenção
    • Não estão indicados como terapia de manutenção, pois tem baixo índice de cicatrização da mucosa
  • Quais são as indicações de uso dos aminossalicicatos
    • Mesalazina ou sulfassalazina
    • RCU casos leves e moderados na fase aguda ou de manutenção
    • Não atuam tão bem na doença de Crohn
    • Mesalazina: pode ser usada terapia VO nos casos moderados e combinada com supositórios, o uso combinado é mais efetivo
    • Sulfassalazina: pode ser usada tanto na fase aguda como na manutenção
  • Quais são as indicações de uso dos imunossupressores
    • Exemplo: azatioprina e metotrexato
    • Quando abre o caso com pancolite um fulminante
    • Quando paciente tem critérios de mau prognóstico
    • Quando corticoide dependente ou refratário
    • Em substituição ao corticoide como terapia de manutenção
    • Azatioprina: início de ação lento após 2-3 semanas, indicado como droga de manutenção
      • Risco de linfoma, neoplasia renal e cancer de pele
    • Metotrexato: reservado a casos específicos de DC. O efeito de cicatrização da mucosa é menor quando se comparado a azatioprina
      • Teratogenico, mielotoxico e hepatotóxico
  • Quais são as indicações de uso dos imunobiológicos
    • Em casos graves que não controlam com os medicamentos acima
    • Mau prognóstico
    • Manifestações extraintestinais
    • Quando tem fistula e estenose na DC
    • Exemplos: infliximabe
  • Quais antibióticos são prescritos na doença grave e fulminante
    • Metronidazol + ciprofloxacino / ceftriaxona
    • Amoxi + clavu
  • Quais as possíveis evoluções do tratamento
    • Remissão: quando após o tratamento há regressão da inflamação no anatomopatológico
    • Recidiva: períodos de agudização
    • Dependente: quando não controla sem corticoide
    • Refratário: quando não controla com corticoide
  • Qual profilaxia que deve ser feita antes de iniciar o uso de imunossupressores
    • Ivermectina para estrongilóides
    • Conferir cartão vacinal para: papilomavírus, varicela, influenza, pneumococo e hepatite B
    • Não realizar vacinas com vírus vivo ou atenuado após o início do tratamento

  • Material consultado
    • Manual do residente de clinica médica USP terceira edição
    • Robins e Cotran Patologia
    • Aulas da faculdade

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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