Pancreatite II
Anatomia
- retroperitonial, pois isso a dor irradia para dorso
- Cabeça do pâncreas repousa no duodeno = compartilha a vascularização com o duodeno = tronco celíaco e artéria mesenterica superior
- Colédoco mergulha na cabeça pancreática e o ducto pancreático desemboca no duodeno junto
- Impactação na papila duodenal, provocando pancreatite aguda
- Tumor na cabeça do pâncreas tbm obstrui o colédoco, icterícia + distensão da vesícula (palpável) + indolor
- Funções pancreáticas:
- Endócrino: ilhotas de langerhans (insulina e glucagon) e delta (somatostatina)
- Exócrinas: alimento + acidez provoca a liberação no duodeno de secretina e colecistocinina = bicarbonato + pro-enzimas (só sao ativadas no duodeno)
Etiologia
- litíase biliar
- Álcool
- Hipertrigliceridemia
- Tumor da cabeça do pâncreas
Clínica
- dor intensa, inespecífico, pode ser irradiada para dorso
- Náusea e vomito
- Icterícia leve
- Sinais semiológicos: cullen (umbilical) e gray-turnês = sinal de hemorragia retroperitoneal
Diagnóstico
- 2 de 3 critérios
1- clinica sugestiva
2- enzimas 3x o normal
- amilase volta ao normal mais rápido
- Lipase e mais especifica
- Não sao especificas de pancreatite e nao determinam prognostico
- Trauma abdominal, sangramento digestivo e tumores podem aumentar essas enzimas (analisar dentro de um contexto)
3- exame de imagem
- primeiro exame: USG de abdome para descartar colelitiase
- Principal exame: TC com contraste em 48 ou 72h (ajuda na classificação entre edematosa e necrosante, sendo que a ultima demora mais tempo para surgir no exame). Pedir imediatamente em caso grave ou piora clinica
- Suspeita de litíase = colangio RNM
Classificação
Gravidade
- leve: sem falência orgânica nem complicação local ou sistêmica
- Moderada: falência orgânica que dura menos de 48h e / ou complicações locais e sistêmicas
- Grave: Falência orgânica persistente
Classificação pela TC
- Edematosa: captação homogênea do contraste
- Necrotisante: captação difusa de contraste, pode complicar com infecção quando presença de bolhas de ar
Tratamento
Fase aguda:
- dieta zero por curto período de tempo. Deve ser reiniciada nas primeiras 24h-72h, liquida e avaliar melhora. Cateter se dieta nao tolerada por VO
- Hidratação vigorosa
- Controle de distúrbios eletrolíticos
- Analgesia
- Leve: geralmente nao existe mais calculo, após a resolução do caso, porem pode existir na vesicula, devendo realizar colecistectomia na internação
- Pancreatite biliar + colangite ou obstrução distal grave = calculo ainda no canal = CPRE + papilotomia + colecistectomia em uma próxima internação
Complicações locais
- edematosa: evolução com 4 semanas ou menos, coleção de liquido peripancreativa. Evolucao com mais de 4 semanas = pseudocisto pq a parede e feita de debris celulares
- Necrosante: menos que 4 semanas = coleção necrótica aguda. Maior que 4 semanas = organizada
Tratamento das complicações
- indicação de antibiótico: imipenem (carbapenemico)
- Necrose infectada
- Necrosectomia: necrose sintomática
- indicação de antibiótico: imipenem (carbapenemico)
Tratamento forma leve
- menos de 3 critérios de Ranson
- analgesia: opiáceos, evitar o uso de morfina devido a hipótese dela aumentar o tônus do esfíncter de oddi
- Reposição volemica
- Dieta zero, reintroduzir entre 24-72h ou quando o paciente melhora a dor, ausência de vômitos e apresenta desejo alimentar
Tratamento forma grave
- avaliar complicações
- Controle da dor + reposição volemica vigorosa + nutrição enteral
- Não deve usar ATB profilático, só em casos de necrose com bolhas ou piora clinica
