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📚 RESUMOS E GUIAS

Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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Endometriose

  • Qual a definição de endometriose
    • invasão do tecido endometrial em outras áreas que não são o útero, como ovário, ligamentos, fossa vesicouterina e retouterina
  • O diz a teoria da menstruação retrógrada
    • o sangue regurgitado da menstruação, que contém células com propriedades endometriais de se desenvolverem, ao passar para outras estruturas acaba por se infiltrarem e por desenvolver o tecido endometrial no local
  • O que diz a teoria imunológica
    • alteração de células imunológicas, principalmente intestinais, que secretam fatores de crescimento para as células endometriais
    • soma-se à teoria da menstruação retrógradas
  • O que diz a teoria da metaplasia celômica
    • que a célula celômica (embrionária) se transformaria em tecido endometrial
  • O que diz a teoria da indução
    • fatores exógenos externos poderiam contribuir com o desenvolvimento da doença
  • O que diz a teoria iatrogênica
    • após manipulação uterina, focos de endométrio podem se migrar e crescer em outros locais ou endometrioma umbilical após cesariana
  • Disseminação linfática
    • por achados de endometriomas em áreas longe do útero, como na pleura
  • Qual o fator hormonal crucial para a endometriose
    • estrogênio, pois ele que viabiliza as alterações endometriais iniciadas pela progesterona
  • Quais são os fatores de risco para endometriose
    • história familiar de primeiro grau
    • malformações uterinas
    • menarca precoce
    • ciclos menstruais curtos
    • duração do fluxo menstrual aumentado
    • estenose cervical
    • baixo IMC
    • gestação tardia
    • nulipariadade
    • etnia branca e asiática
    • consumo exagerado de café e álcool
  • Quais são as apresentações clínicas da doença
    • implantes peritoneais superficiais e profundos, aderências e cistos ovarianos
    • clínica: dismenorreia, dispareunia, mudança do ciclo menstrual, melhora com ACO, dor progressiva e intensa que não melhora ao uso de analgésico
  • Tipo de lesão típica
    • vermelhas: atividade inflamatória importante, lesão em chama de vela
    • pretas: lesão inflamatória diminuída, lesão em queimadura de pólvora, podem se apresentar como nódulos escuros (café com leite) ou como um cisto com hemorragia antiga (comum nos ovários, aspecto de chocolate)
    • brancas: lesões já cicatrizadas
  • Aspecto microscópio das lesões
    • glândulas e estroma endometrial com ou sem macrófagos repletos de hemossiderina
  • Sítios mais comuns de endometriose
    • ovário
    • ligamento utero-sacro
    • fundo do saco de douglas
    • intestino: reto e ceco
    • tuba uterina
    • apêndice
  • Como é a lesão da endometriose no ovário
    • cisto endometrióde que possui no seu interior sangue envelhecido, por isso recebe o nome de conteúdo de chocolate
  • Quais são os sintomas de comprometimento intestinal
    • comprometimento do retossigmóide, apêndice e delgado
    • desonforto, distensão abdominal, constipação ou diarreia, náuseas e vômitos, dor em hipo ou mesogástro e apresenta sangramento (hematoquesia)
  • Quais são os sintomas da endometriose
    • dor em cólica de intensidade progressiva que acompanha o ciclo menstrual e não melhor com o uso de AINE (dismenorreia)
    • infertilidade
    • aumento do volume do sangramento (hipermenorreia)
    • dispaneuria (profundidade pensar no acometimento do fundo do saco de douglas)
    • dor pélvica crônica
  • A endometriose do trato urinário se relaciona com quais sintomas
    • disúria cíclica
    • hematúria
    • retenção e obstrução urinária
  • Quais as explicações para a endometriose gerar infertilidade
    • anormalidade da estrutura, impedindo tanto a ovulação adequada (comprometimento dos ovários e das trombas) e implantação do embrião
  • Quais são os achados do exame físico
    • sensibilidade localizada no fundo do saco vaginal ou nos ligamentos uterossacros
    • sensibilidade ao toque do fórnice posterior
    • nódulos palpáveis e sensíveis no fundo de saco, ligamentos ou septo retovaginal
    • dor à mobilização uterina
    • sensibilidade e massas anexiais que aumentam de volume durante o período menstrual
  • Exames complementares
    • CA-125 marcador da progressão do tratamento
    • USG transvaginal: visualização de endometriomas com consistência císticas, com ecos internos dispersos e paredes com foco ecogênico. Pode ser feita com enema intestinal para melhor visualização e para verificar se há lesões intestinais
    • RNM: mapeamento da extensão da doença
    • Videolaparoscopia com biópsia das lesões: padrão ouro para o diagnóstico. Ideal pois permite a visualização direta das lesões, bem como a realização do histopatológico
  • Diagnósticos diferenciais
    • DIP
    • Síndrome do cólon irritável
    • cistite intersticial
    • adenomiose
    • tumores ovarianos
    • doença diverticular
    • câncer de cólon
  • Tratamento clínico
    • ACO combinados de baixa dosagem, tomados de forma initerrupta
    • AINES
  • Tratamento cirúrgico
    • ablação das lesões
    • remoção dos endometriomas
    • histerectomia e ooferectomia (único modo de tratar a doença de forma definitiva)

  • Endometriose (caso de discussão)
    • 25 anos cólica + fluxo menstrual intenso (mudança no padrão do ciclo menstrual após fazer pausa no uso de ACO)
    • Dor em cólica intensa, iniciada há 10 meses, que respeitava o período do fluxo menstrual e melhora com o uso de anti-inflamatório
    • Atualmente a dor continua intensa e se inicia 5 dias antes do começo do fluxo e termina 1 semana depois (5+8+7= 20 dias de dor no mês), sem fator de melhora
    • Dispaurenia
    • Mãe com os mesmos sintomas, atualmente em menopausa
    • Menarca 13 anos, relação sexual aos 17 com uso de ACO por 7 anos, DUM há 15 dias
    • Exame abdominal: palpação dolorosa na fossa ilíaca esquerda
    • Utéro anteroversofletido, aumentado 2x, doloroso a mobilização (processo inflamatório a nível dos ligamentos), com mobilidade reduzida, presença de nódulo doloroso em região retrocervical de 1,5 cm, anexo esquerdo aumentado, de consistência cística, abaulando a parede vaginal lateral esquerda, anexo direito aparentemente livre
    • Síndrome de dismenorreia primária: dor que começa quando os ciclos ovulatorios se iniciam, não é uma dor progressiva, restrita à fase menstrual do ciclo e melhora com o uso de AINES. O diagnóstico é clínico de exclusão, o exame físico está normal
    • Síndrome de dismenorreia secundária: associada a alguma doença ginecológica. Diagnósticos diferenciais: endometriose, adenomioma, miomas, pólipos, anomalias congênitas, DIP aguda ou crônica e cistos ou tumores ovarianos
    • Fluxo de 8 dias com fluxo aumentado e intervalos regulares = menorragia
    • SUA: sangramento uterino anormal
    • SUD: sangramento uterino disfuncional que ocorre na ausência de gravidez e de doença pélvica e que está relacionado a fatores endocrinológicos
    • Adenomioma: presença de tecido endometrial (glândulas e estrôma) entre as fibras do miométrio
    • Endometriose: presença de tecido endometrial (glândulas e estrôma) fora do tecido uterino
    • Clínica: dismenorreia progressiva, dispareunia, dor pélvica crônica e infertilidade (dificuldade de implantação do embrião e aderências que impedem o movimento da tuba uterina)
    • Conduta: USG, RNM e laparoscopia
    • Tratamento: laparoscopia

    Discussão com o Dr Miguel

    • dismenorreia tem caráter familiar
    • processo inflamatório de longa duração = fibrose dos tecidos = mobilidade reduzida
    • anexo esquerdo aumentado de consistência cística
    • sangramento excessivo: pedir hemograma para avaliar anemia crônica
    • útero doloroso, poderia ser um processo inflamatório agudo = olhar leucócitos. Não mostram uma leucocitose = sugere dor crônica e não aguda
    • nos processo agudos = processo infeccioso = DIP com febre, ao toque a vagina está quente e a mobilização é extremamente dolorosa, os dois anexos estão doloridos (apendicite só tem dor na fossa ilíaca direita), leucocitose com desvio à esquerda (bastonetes aumentados)
    • fatores de coagulação
    • CA-125 (tumores ovarianos e processos inflamatórios), alfa-feto proteína (CA de fígado) = marcadores de neoplasia, foi pedido pelo espessamento anexial e aumento uterino, CEA (colo retal)
    • histeroscopia: tubo colocado na cavidade vaginal
    • laparoscopia: tubo no abdome para avaliar a cavidade peritoneal, os órgãos genitais e intestino. Diagnóstico e tratamento
    • adenomiose: útero aumentado, de consistência parecida com o de mola hidatiforme. cólicas menstruais intensas com aumento do sangramento. ACO reduz o tecido endometrial, diminuindo o sangramento e a dor (anti-inflamatório). Processos inflamatórios do útero produzem prostaglandinas que aumentam as cólicas. Comprovada por USG
    • miomatose: geralmente não é doloroso, então sugere endometriose, útero endurecido com vários nódulos
    • endometriose: migração do endométrio para outras cavidades, o que fala a favor é o ovário de consistência cística (endometrioma), aspecto de chocolate (sangue escuro). Confirmada com. Laparoscopia com biópsia é padrão outro para diagnóstico e pode ser usada como tratamento (remoção das lesões e cauterização dos pontos escurecidos)
    • Tratamento - tentativa de reprodução: processo de cauterização das lesões (associação de progesterona em altas doses), mas a adenomiose uterina impediria essa gestação
    • Tratamento ACO: atrofia endometrial, melhora o sangramento. Componente estrogênico pode piorar o quadro, então a primeira escolha é a progesterona em altas doses, o que leva a atrofia de vários focos endometriais
    • Tratamento para pacientes de idade mais avançada: retirada do útero
    • Análogo de GnRH: bloqueia FSH e LH e bloqueia a produção de estrogeno e progesterona, auxilia no tratamento clínico e numa futura cirurgia por reduzir o tamanho do útero

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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