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📚 RESUMOS E GUIAS

Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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S.O.P.

  • Qual a tríade clássica
    • hiperandrogenismo clínico ou laboratorial (hirsutismo)
    • cistos ovarianos múltiplos > 12 maior que 2-9 cm ou único grande ovário maior que 10cm
    • amenorreia
  • Epidemiologia da SOP nas doenças ginecológicas
    • causa mais comum de hiperandrogenismo
    • causa mais comum de infertilidade de causa ovulatória
    • pode ser diagnóstico de 90% das mulheres com ciclos irregulares
    • afeta de 5% a 10% das mulheres em idade reprodutiva
  • Quais são as causas da produção exacerbada de androgênios
    • defeito enzimático das células da granulosa que não produzem o receptor para FSH, assim a enzima aromatase não é produzida
    • além de defeito enzimático da célula da TECA que irá produzir mais andrógenos
  • Quais são as consequências dessa produção aumentada
    • ocorre maior conversão periférica de andrógenos em estrona, o que interfere na pulsatilidade hormonal, fazendo com que ocorra amenorreia
    • o andrógeno causa alterações na pele como acne e hirsutismo
    • aumenta a resistência periférica à insulina (independente do excesso de peso)
    • diminui a produção de SHBG pelo fígado (o que aumenta a quantidade de testosterona livre)
  • Qual a fisiopatologia da doença
    • Compartimento hipotálamo-hipófise: ocorre alteração dos pulsos de GnRH pelo feedback constante da estrona periférica, aumento da secreção de LH em detrimento do FSH
    • Compartimento ovariano: por não ter secreção adequada de FSH, os fólicos são recrutados, mas não sofrem o amadurecimento corretamente (não tem a seleção do folículo dominante), o que acarreta em um ovário com cistos por atresia desses folículos
    • Compartimento periférico: resistência à insulina (menos SHBG e sinergismo com o LH ovariano), testosterona livre na periferia, produção de estrona desregula os pulsos de GnRH e inibem a secreção ovariana desse mesmo hormônio, além de estimular constantemente o endométrio, fazendo com que ele não se desenvolva
  • Qual o efeito do androgênio sobre o FSH e o GnRH
    • altera os pulsos de secreção
  • Qual o papel da obesidade
    • quanto mais tecido adiposo, maior é a conversão periférica de andrógenos
  • Qual o papel da resistência à insulina
    • potencializa os efeitos do LH nas células da TECA
    • diminui a produção de SHBG
  • Manifestações clínicas
    • hirsutismo
    • acne
    • amenorreia secundária
    • ganho de peso
    • dificuldade em engravidar
    • dislipidemia
  • Quais são os critérios diagnósticos para síndrome metabólica
    • circunferência abdominal > 88cm
    • HDL< 50
    • hipertrigliceridemia > 150
    • glicemia em jejum > 110
    • hipertensão arterial
  • O que avaliar no exame físico
    • peso, IMC e circunferência abdominal
    • pressão arterial
    • na pele: acantose (diabetes), hirsutismo e acne
  • Quais exames laboratoriais pedir
    • THS
    • prolactina
    • testosterona total e livre
    • sulfato de desidroepiandrosterona
    • 17-hidroxiprogesterona
  • Qual o laboratório de SOP
    • diminuição de FSH, progesterona e SHBG
    • aumento de prolactina, LH, androgenios e estrógeno
  • Quais exames de imagem pedir
    • USG abdominal ou transvaginal
  • Quais são os critérios diagnósticos de SOP
    • diagnóstico de exclusão
    • duas manifestações clínicas fecham o diagnóstico: cistos ovarianos ou ovário aumentado, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial e amenorreia
  • Quais são as repercussões e consequências clínicas da SOP
    • diabetes precoce
    • dificuldade para engravidar
    • diabetes gestacional
    • dislipidemia
    • Risco cardiovascular aumentado
  • Tratamento
    • anticoncepcional oral combinado: progesterona irá agir no endométrio e diminuir a produção de LH, enquanto o estrógeno irá aumentar a produção hepática de SHBG
    • emagrecimento
    • metformina ou glitazona
    • Clomifeno para quem quer engravidar
  • Comentário de questões

    Um quadro de irregularidade menstrual associado ao hiperandrogenismo clínico (inferido pela oleosidade da pele e aumento de pelos em face), é muito sugestivo da Síndrome de Ovários Policísticos (SOP). Por ser uma condição muito associada à Síndrome Metabólica (SM) e resistência insulínica, o IMC elevado reforça ainda mais a hipótese. Além das alterações no estilo de vida para abordar a SM, o tratamento de SOP inclui o uso de anticoncepcional hormonal combinados (ACO) para regular o ciclo menstrual e melhorar o quadro clínico de hiperandrogenismo. Para isso, priorizam-se ACO's que contenham em sua formulação progestágenos com menos propriedades androgênicas, sendo eles a drosperinona ou ciproterona, preferencialmente. Assim, já conseguimos excluir a alternativa B. A espironolactona pode ser indicada para melhora do hirsutismo, porém, não age sobre a irregularidade menstrual e, por isso, não constitui a conduta para o caso (letra A incorreta). Sua associação com progestágenos também não seria eficiente para regular o ciclo (alternativa E incorreta). Com esse raciocínio, restaram as letras C e D, o que aumenta a chance de acerto para 50%. O que as diferencia é a dosagem hormonal, e foi aí que a banca foi maldosa e dificultou muito a questão. Para tentar fugir da decoreba das posologias, um caminho era pensar que, atualmente, sabe-se que a dosagem de estrogênio maior que 0,035 mg ao dia aumenta o risco tromboembólico e que, por isso, cada vez menos utiliza-se ACO de alta dosagem (maior ou igual a 0,05mg/dia). Por isso, excluiríamos a letra C. Como falamos, essa não é uma questão para esquentar a cabeça. Mas aproveitando o tema "SOP", você sabe as alterações laboratoriais que ocorrem nessa síndrome? Isso as bancas adoraram, então aproveite para fixar: SHBG diminui, FSH está normal ou diminuído e o resto aumenta!

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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