Anemia ferropriva
Qual o papel da ferroportina
- ela capta o ferro da ferritina e entrega ele à transportina
- então ela é a ponte entre o armazenamento e o transporte
- quando está inibida, impede que o ferro circule, então ela auxilia no aprisionamento
Qual a função da hepcidina
- hormônio produzido no fígado
- está aumentado em doenças crônicas
- se liga à ferroportina, inibindo-a, assim, essa molécula perde a função de entregar o ferro à transferrina
- hepcidina alta, ferroportina inibida, ferritina alta e ferro sérico baixo
O que acontece com o ferro quando ele chega na medula
- ele é entregue aos reticulócitos e aos macrófagos da medula para que seja incorporado à protoporfirina para formar o grupo heme
O que acontece com o grupo heme no baço
- ele sofre ação da heme-oxidase que libera ferro e biliverdina
- o ferro é estocado pela ferritina e hemossiderina dentro dos macrófagos do baço, sendo esse o processo de reciclagem do ferro
- também pode ser liberado diretamente no sangue, sendo captado pela transferrina
- quando necessário, a ferroportina desses macrófagos também liberam o ferro para a transferrina para que eles sejam novamente enviados até a medula
Como ocorre a eliminação de ferro
- não existe via ativa de eliminação do ferro, pois ele é constantemente reciclado
- o que ocorre é um controle do próprio organismo que determina se o ferro no intestino deve ou não ser captado pelos enterócitos
- o ferro em excesso ou em quantidade normal nos enterócitos é eliminado quando há descamação do epitélio intestinal
- assim a vida de eliminação do ferro é a fecal
Quais as três doenças que a absorção intestinal de ferro está patologicamente aumentado
- hemocromatose
- anemia sideroblástica
- talassemia
O que é a saturação de transferrina
- quantas moléculas de ferro ela consegue ligar: cada molécula de transferrina consegue ligar 2 moléculas de ferro, se a saturação de transferrina representasse a saturação de uma molécula, os valores seriam de 0%, 50% e 100%
- mas esse valor indica a saturação da massa total de transferrina, ou seja, do total de sítios disponíveis para a ligação do ferro de toda transferrina circulante, quais estão saturados?
- qual seria a nomenclatura mais adequada para esse valor: saturação da massa total de transferrina
- nem sempre a saturação aumenta com o aumento de ferro, pois mais moléculas de transferrina podem ser produzidas
O que é o TIBC (capacidade total de ligação do ferro)
- é a quantidade total de sítios de ligação de transferrina disponíveis para a ligação do ferro
- representa de forma indireta a quantidade de transferrina disponível
- ele não sofre influência direta da quantidade total de ferro
- TIBC = quantidade de sítios ligados ao ferro + quantidades de sítios latentes de ligação
- TIBC = ferro sérios + quantidade atente
Como a saturação de transferrina é calculada
- sítios da transferrina ligadas ao ferro (ferro sérico) / sítios totais (TIBC)
- ferro sérico / TIBC
Quais são as condições que levam a uma perda de ferro pelo organismo
- eliminação crônica de sangue
- problemas na absorção: doença celíaca, doença inflamatória intestinal, bypass gástrico e gastrectomia
- hemodiálise
- gravidez
- excesso de exames sanguíneos nos pacientes internados, principalmente aqueles de UTI
- vermes
- no homem e no idoso: hemorroida, úlcera péptica e tumor de cólon
Correlação com exames laboratoriais (tabela)
FERRO
- valor normal: 60-125
- quando aumenta: hemocromatose, talassemia, hepatite aguda grave e uso de ACO
- quando reduz: anemia ferropriva, anemia da doença crônica e síndrome nefrótica (perda urinária de transferrina)
TRANSFERRINA
- valor normal: 200-400
- quando aumenta: deficiência de ferro, gestação e uso de ACO de progesterona
- quando reduz: anemia da doença crônica, síndrome nefrótica, hipertireoidismo e desnutrição
CAPACIDADE TOTAL DE LIGAÇÃO DE FERRO (TIBC)
- valor normal: 250-360
- quando aumenta: quando há elevação da transferrina
- quando reduz: quando há redução da transferrina
SATURAÇÃO DA TRANSFERRINA
- valor normal: 30-40%
- como calcular: ferro sérico / TIBC
- quando aumenta: hemocromatose, talassemia, ingestão excessiva e uso de ACO de progesterona
- quando reduz: anemia ferropriva, amemia da doença crônica e síndrome urêmica
FERRITINA
- valor normal: 20-200
- quando aumenta: nas condições que causam auemnto do ferro corporal total = aumento da ingestão, hemocromatose e anemia da doença crônica
- quando reduz: nas situações que cursam com diminuição do ferro sérico total = anemia ferropriva
Quais são as três razões que tornam a anemia ferropriva mais prevalente em os 6 e 24 meses de vida
- o lactente só tem estoques de ferro para 3 meses de vida
- necessita de aleitamento materno adequado para que esse estoque seja reposto
- o uso de leite de vaca causa sangramentos intestinais e o ferro contido nele não é biodisponível
- alimentação inadequada de fontes de proteína animal
Razões do leite de vaca não ser recomendado para crianças até 2 anos
- alergia intestinal = irritação da mucosa intestinal = sangramento
- o cálcio quela o ferro
- o ferro não é o melhor para ser absorvido
Sinais e sintomas da anemia
- astenia, cansaço, taquicardia, palidez, icterícia, irritabilidade
Sinais e sintomas da ferropenia
- pica ou parorexia: vontade de comer alimentos sem valor nutricional
- glossite
- queilite angular
Alterações do hemograma
- hemoglobina baixa
- hemácias também baixas
- primeiramente é uma anemia normo normo então o VCM e o HCM estão normais
- RDW alterado: anisocitose, principalmente nas fases mais avançadas
- VCM diminuído 53-93
- HCM diminuído
- CHCM 22-31
- trombocitose
Alterações da ferritina
- diminuição da ferritina, primeiro parâmetro a ser alterado (nas talassemias e anemia sideroblástica ela está aumentada)
- padrão para acompanhar tanto a depleção do estoque de ferro quanto a reposição
Alterações do TIBC e da saturação de transferrina
- TIBC está aumentado, pois existe moléculas de transferrina sem sítios ocupados, pois o ferro sérico está diminuído, além disso, ocorre aumento da produção da transferrina pelo fígado como uma tentativa de resposta à diminuição de ferro, geralmente está acima de 400, enquanto na anemia da doença crônica está abaixo de 200
- a saturação está abaixo de 15%
Alterações da hematoscopia
- anisocitose
- poiquilocitose = hemácias em forma de chaurto
- microcitose hipocrômica
Mielograma
- biópsia com coloração azul da prússia
- a presença de qualquer ferro corado afasta a possibilidade de anemia ferropriva declarada
Estágios da depledação de ferro
- depledação do estoque: nesse estágio ocorre diminuição da ferritina para tentar suprir as necessidades de ferro, então nesse momento o TIBC, a saturação de transferrina e o ferro sérico estão normais
- eritropoiese deficiente: depois de acabado os estoques de ferro, ocorrerá uma produção deficiente, nesse momento a ferritina, o ferro sérico e a saturação de transferrina diminuem e o TIBC começa a subir . Algumas hemácias se tornam microcíticas
- anemia: diminuição do padrão laboratorial e anisocitose com células microcítcas e hipocrômicas (RDW aumentado), nesse estágio a eritropoiese é ineficaz
Tratamento
- suplementação de 60mg de ferro elementar de 3 a 4 vezes ao dia
- o sulfato ferroso corresponde a 5x a quantidade de ferro elementar
- o padrão para verificar se o tratamento está fazendo efeito é a dosagem de reticulocitos
- a reposição deve durar de 3 a 6 meses após a normalização do hematócrito e o controle do tratamento pode ser feito pela ferritina sérica
Anemia ferropriva: critérios diagnósticos incluem ferritina baixa, microcitose e hipocromia; tratamento com reposição de ferro oral.
Falha terpêutica
- diagnóstico etiológico errado
- anemia multifatorial
- má adesão
- sangramento crônico abundante
- doença celíaca
Quando indicar tratamento parenteral
- síndromes de má absorção duodenojejunais, como a doença celíaca
- intolerância às preparações orais
- anemia refratária
- necessidade imediata de reposição
- pode ser feito com gluconato férrico de sódio e ferro-sucrose