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Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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Hepatites virais agudas

Aspectos gerais

  • Via de transmissão e cronificação de cada hepatite
    • Hepatite A: transmissão fecal-oral, mas também pode ser por via sexual, principalmente em HSH. Não cronifica
    • Hepatite B: transmissão por fluídos corporais e na relação sexual. Tem maior taxa de cronificação em crianças
    • Hepatite C: transmissão pelo sangue. Alta taxa de cronificação
    • Hepatite D: transmissão pelo sangue. Só é possível quando se tem a hepatite B associada
    • Hepatite E: transmissão fecal-oral e não cronifica
  • Fase prodrômica
    • Qual a característica da febre nas hepatites virais agudas: febre baixa
    • Quais são os sintomas: sintomas inespecíficos de febre, astenia, anorexia, dor abdominal, náuseas, sinais de IVAS e diarreia
  • Fase ictérica
    • Icterícia, náseas, prurido, vômitos, pode cursar com síndrome colestática (mais comum na hepatite A) e acentuação dos sintomas intestinais
    • Quais são as complicações da hepatite B e C que podem surgir inesperadamente no paciente que não manifestou os sintomas? (como esse paciente descobre que já teve hepatite)

      Cirrose, hipertensão porta e carcinoma hepatocelular. Descobre por meio de exames de rotina ou pelo aparecimento dessas doenças

  • Fase de convalescência
    • fase de melhora clínica dos sintomas com cura ou evolução crônica
  • Peculiaridades do hemograma na hepatite
    • Hepatite viral aguda: leucopenia e neutropenia
    • Hepatite alcoólica: leucocitose com desvio à esquerda
    • Leptospirose: leucocitose neutrofílica
  • O que é a Síndrome Hepatocelular
    • Necrose dos hepatócitos devido a uma injúria celular (vírus ou medicamento) com liberação plasmática de aminotransferases
  • Qual bilirrubina aumenta mais e por que
    • a bilirrubina direta aumenta mais, pois a fase de excreção é dependente de ATP, limitando todo o ciclo. Assim, um hepatócito lesado não possui ATP para dispender na excreção.
  • Quais são os preditores de mau prognóstico?
    • Hipoalbuminemia
    • Alargamento do INR
    • Encefalopatia hepática
  • Quais são as provas de função hepática
    • Albumina
    • TAP e INR
    • Bilirrubina
    • Amonemia (é convertida em ureia pelo fígado)

Hepatite A

  • Características epidemiológicas
    • Acomete mais países em desenvolvimento devido à condições sanitárias
    • No Brasil está mais presente na região norte e nordeste
    • A faixa etária mais acometida é de crianças dos 5 aos 10 anos
  • Patogenia do vírus
    • O dano hepático é causado em maior grau pela reação inflamatória do organismo ao vírus
    • O vírus penetra no fígado por meio do sistema-porta e é excretado pela bile, por isso a transmissão ocorre pela via oral-fecal
  • Quais são os sintomas e a forma mais comum
    • Sintomas brandos característicos da fase podrômica que pode ser confundida com gastroenterite
    • Forma anictérica
  • Qual a relação com síndrome colestática
    • É a hepatite que mais cursa com síndrome colestática intra-hepática, causando colúria, acolia fecal e prurido
    • Tem os marcadores canaliculares elevados: gama-gt e fosfatase alcalina
  • Qual a sorologia para hepatite A e como fazer o diagnóstico por meio dela
    • anti-HVA IgM e igG
    • Esses marcadores aparecem no plasma após 1 mês de contato
    • O diagnóstico de hepatite aguda é feito quando igM positivo
  • Como o tratamento é feito
    • restrição a exercícios físicos
    • repouso
    • controle dos sintomas
    • restrição à drogas hepatotóxicas, como paracetamol
    • restrição à ingestão de álcool por 6 meses
  • O paciente deve ficar em isolamento de contato?
    • Não, pois ao apresentar os sintomas a fase de transmissão já passou
  • Como é feita a imunização (calendário vacinal) e a profilaxia pós-exposição
    • Hepatite A dose única aos 15 meses de vida, até no máximo 23 meses
    • Profilaxia pós-exposição com uma dose quando calendário incompleto

Hepatite B

  • Quais são os antígenos produzidos e qual status imunológico eles indicam
    • HBSAg: presença do vírus - indica cronificação
    • anti-HBS: cura por infecção ou vacinação
    • anti-HBC IgM: infecção aguda
    • anti-HBC IgG: indica contato com o vírus, não aparece no paciente vacinado
    • HBEAg: indica replicação viral
    • anti-HBE: indica que o vírus não está se replicando
  • Epidemiologia da doença
    • entre 20 e 69 anos (devido principalmente ao contágio por via sexual)
    • média de 35 anos
    • homens
  • Qual o período de incubação
    • de 30 a 180 dias - 4 a 6 semanas
  • Qual grupo tem maior chance de cronificar
    • recém nascidos contaminados de forma vertical tem mais chance de cronificar na vida adulta
  • Quais são as vias de transmissão e qual o período de maior infectividade
    • via por fluídos corporais, inclui a transmissão por relação sexual
    • é o período no qual o HBEAg está positivo
  • Quais as peculiaridades da transmissão vertical
    • A maior transmissibilidade ocorre no período intraparto, condições como rompimento da bolsa amniótica e contato da mucosa no bebê com as secreções da mãe
    • A transmissão intrauterina varia de acordo com o HBeAg, sendo maior quando ele é positivo
    • A transmissão aguda tem chance de 20% de transmissão no primeiro trimestre e 60% no segundo e terceiro
  • Qual um dos principais fatores que predispões à cronificação
    • forma não clássica, sem icterícia, pois sugere uma resposta imune insuficiente
    • permanência do HBsAg positivo por mais de 6 meses indica cronificação
  • Qual a cronologia do aparecimento dos marcadores sorológicos
    • HBsAg - média de 30 dias após o contato sem sintomas
    • Após 2 semanas surge o anti-HBC IgM: marca o período ictérico
    • anti-HBC IgG marca o período de convalecência
  • Em qual contexto o HBeAg e o anti-HBE são importantes
    • Contexto da cronificação da doença para estabelecer se a replicação está ativa ou não, isso institui o tratamento
  • Relação do quadro clínico com a faixa etária
    • Quanto menor a idade mais chance de cronificar
    • Quanto maior a idade mais chance de estabelecer a forma fulminante
    • Adultos apresentam mais facilmente a forma ictérica
    • Idosos apresentam mais facilmente a forma grave
    • Crianças apresentam a forma assintomática com mais chance de cronificar
  • Quais são os sintomas/laboratório das evoluções benignas
    • Assintomática: aumento das transaminases
    • Anictérica: aumento das transaminases >500 e sintomas gripais
    • Ictérica clássica: sintomas de icterícia + transaminases
    • Recorrente ou recrudescente: pode acontecer o aumento das transaminases que já estavam melhorando, ocorre nos 6 meses de doença, após isso já é considerado como forma crônica
    • Colestática: colúria, acolia, prurido, aumento de bilirrubina direta e das enzimas canaliculares (é mais clássica na hepatite A)
  • Quais são os sintomas/laboratório das evoluções malignas
    • Encefalopatia de orgiem hepática com flaping, decortificação, alteração da consciência, distúrbio eletrolítico e febre persistente que surge em até 8 semanas
    • O fígado diminui devido à necrose, por isso as transaminases diminuem
    • Ocorre intenso aumento do anti-HBC IgM
    • Leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda
  • Quais são os sintomas e como fica os marcadores laboratoriais e sorológicos na hepatite fulminante
    • encefalopatia hepática: obinubilação, coma, torpor, distúrbio hidroeletrolítico
    • TAP alargado
    • hipoalbuminemia
    • amônia aumentada
    • bilirrubina direta aumentada
    • anti-HBC IgM aumentado
  • Qual o perfil sorológico da hepatite B aguda
    • HBSAg + e anti-HBC IgM +
  • Qual o perfil sorológico pós-vacinal
    • anti-HBS (o anti-HBC só positiva quando houver contato com o vírus)
  • Qual o perfil sorológico da cura
    • anti-HBS + anti-HBC IgG +
  • Qual o perfil sorológico da cronificação
    • HBSAg + anti-HBE + ou HBEAg +
  • Como fazer o rastreio do carcinoma hepatocelular
    • ultrassom e alfafeto a cada 6 meses
    • biópsia hepática
  • Como instituir o tratamento
    • HBsAg + TGO > 2x o LSN
    • HBsAg + transaminases normais + > 30 anos
    • HBsAg - om carga viral > 2000 (mutante pré-cor)
    • HBsAg + HBeAg - CV baixa: tratar nos casos de história de câncer hepatocelular, coinfecção com HIV, cirrose e manifestação extra-hepática
  • Drogas de escolha
    • Tenofovir
    • Entecavir para cirroticos ou para quem tem insuficiência renal
    • Interferon peguilano (casos específicos)
    • Monitorar todos os marcadores sorológicos, carga viral, transaminases, USG, alfafetoproteína
  • Qual o esquema vacinal
    • Primeira dose ao nascimento (monovalente)
    • Segunda dose aos 2 meses (pentavalente)
    • Terceira dose aos 4 meses
    • Quarta dose aos 6 meses
  • Como é feita a profilaxia do RN
    • Vacinação e imunoglobulina específica anti-HBs nas primeiras 12h após o parto
    • A mãe deve ser tratada durante a gestação com tenofovir/lamivudina a partir da 28ª semana de gestação com HBeAg + carga viral
    • Se a doença estiver em atividade na mãe e fibrose ou cirrose avançada, iniciar o tenofovir no primeiro trimestre

Hepatite C

  • Qual fluido transmite o HCV e quais são as principais vias de transmissão
    • somente o sangue transmite o HCV, por isso a transmissão por via sexual é infrequente, sendo a maioria dos casos contraídos por uso de seringas compartilhadas
  • O que fazer quando a mãe é HCV +
    • o tratamento não pode ser feito na gestante
    • não há profilaxia para o feto
    • o aleitamento materno deve ser restringido caso haja fissuras mamárias
  • Quais são os sintomas da fase aguda
    • menos de 20% apresentam sintomas na fase aguda
    • a chance de tornar portador crônico é de 80% e 1/3 evolui para cirrose
    • quando tem sintomas, eles são clássicos de icterícia
    • as transaminases apresentam característica flutuante
  • Como fazer o diagnóstico na fase aguda
    • anti-HCV positivo, porém demora de 8 a 12 semanas para aparecer, por isso na suspeita de infecção é preciso solicitar HCV-RNA
  • Quais testes pedir para menores de 18 meses
    • menores de 18 meses: HCV-RNA, se positivo solicitar o anti-HCV em 12 meses e se negativo solicitar HCV-RNA em 6 meses
  • Qual o tratamento para a fase aguda e como iniciá-lo
    • assintomático: iniciar o tratamento de forma precoce
    • sintomático ictérico: aguardar 12 semanas, se a carga viral não tiver diminuído, iniciar o tratamento
    • quando acidente: dosar HCV-RNA após 1 mês e se positivo iniciar o tratamento
    • medicação: interferon convencional em monoterapia por 24 semanas ou interferon convencional + ribavirina por 24 semanas

Hepatite D

  • Como é causada a infecção pelo HDV

    Ela só é causada caso houver co-infecção com o vírus B, pois este é um facilitador de entrada

  • Quais são as duas classificações de hepatite D
    • Coinfecção quando os dois estão na forma aguda
    • Superinfecção quando o HDV é contraído no paciente com hepatite B crônica, essa forma pode causar hepatite fulminante e leva à cirrose 70% dos casos em 2 anos
  • Como fazer o diagnóstico laboratorial
    • HDV-Ag ou HDV-RNA
  • Quando a pesquisa desse agente deve ser realizada quando o HBsAg por positivo
    • Quando o portador visitar área endêmica, como a região norte do Brasil
  • Tratamento
    • Alfaperguinteferon + tenofovir ou entecavir por 48 semanas

Comentários de questões

  • 1

    O vírus da Hepatite A (HVA) é causador de infecção aguda da doença que não cronifica, mas pode ter uma fase aguda fulminante, apesar de rara. Sua via de transmissão é a oral fecal e uma das formas de prevenção no Brasil é a vacinação que está disponível no SUS e faz parte do Programa Nacional de Imunização (PNI) com dose única aos 15 meses de vida. O diagnóstico é feito por meio da detecção de anticorpos anti-HAV. Quando este é negativo, significa que não houve contato com o vírus. Alternativa A - incorreta.

    "HBsAg positivo" é o principal marcador que indica doença ativa pelo vírus. Quando o marcador está positivo há menos de 6 meses, diz-se que há Hepatite B Aguda. Se o tempo de positividade é maior de 6 meses, há Hepatite B crônica. Alternativas B e D - incorretas. Quando há cura da Hepatite B, há produção de anticorpos contra os antígenos virais, tais como o anti-HBs. Alternativa E - correta.

    Alguns anticorpos indicam o contato prévio ou atual com o vírus: tais como o anti-HBc. O HBeAg indica replicação viral, o anticorpo contra esse antígeno seria o anti-HBeAg e este encontra-se positivo, em geral, quando há controle da infecção.

    Um anti-HCV positivo significa contato prévio com o vírus da Hepatite C, mas não significa que o indivíduo possui doença crônica ativa. Para confirmar se há doença deve-se solicitar um teste quantitativo de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que confirma a presença do RNA do vírus no indivíduo e, portanto, doença crônica. Alternativa C - incorreta.

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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