Hepatites virais agudas
Aspectos gerais
Via de transmissão e cronificação de cada hepatite
- Hepatite A: transmissão fecal-oral, mas também pode ser por via sexual, principalmente em HSH. Não cronifica
- Hepatite B: transmissão por fluídos corporais e na relação sexual. Tem maior taxa de cronificação em crianças
- Hepatite C: transmissão pelo sangue. Alta taxa de cronificação
- Hepatite D: transmissão pelo sangue. Só é possível quando se tem a hepatite B associada
- Hepatite E: transmissão fecal-oral e não cronifica
Fase prodrômica
- Qual a característica da febre nas hepatites virais agudas: febre baixa
- Quais são os sintomas: sintomas inespecíficos de febre, astenia, anorexia, dor abdominal, náuseas, sinais de IVAS e diarreia
Fase ictérica
- Icterícia, náseas, prurido, vômitos, pode cursar com síndrome colestática (mais comum na hepatite A) e acentuação dos sintomas intestinais
Quais são as complicações da hepatite B e C que podem surgir inesperadamente no paciente que não manifestou os sintomas? (como esse paciente descobre que já teve hepatite)
Cirrose, hipertensão porta e carcinoma hepatocelular. Descobre por meio de exames de rotina ou pelo aparecimento dessas doenças
Fase de convalescência
- fase de melhora clínica dos sintomas com cura ou evolução crônica
Peculiaridades do hemograma na hepatite
- Hepatite viral aguda: leucopenia e neutropenia
- Hepatite alcoólica: leucocitose com desvio à esquerda
- Leptospirose: leucocitose neutrofílica
O que é a Síndrome Hepatocelular
- Necrose dos hepatócitos devido a uma injúria celular (vírus ou medicamento) com liberação plasmática de aminotransferases
Qual bilirrubina aumenta mais e por que
- a bilirrubina direta aumenta mais, pois a fase de excreção é dependente de ATP, limitando todo o ciclo. Assim, um hepatócito lesado não possui ATP para dispender na excreção.
Quais são os preditores de mau prognóstico?
- Hipoalbuminemia
- Alargamento do INR
- Encefalopatia hepática
Quais são as provas de função hepática
- Albumina
- TAP e INR
- Bilirrubina
- Amonemia (é convertida em ureia pelo fígado)
Hepatite A
Características epidemiológicas
- Acomete mais países em desenvolvimento devido à condições sanitárias
- No Brasil está mais presente na região norte e nordeste
- A faixa etária mais acometida é de crianças dos 5 aos 10 anos
Patogenia do vírus
- O dano hepático é causado em maior grau pela reação inflamatória do organismo ao vírus
- O vírus penetra no fígado por meio do sistema-porta e é excretado pela bile, por isso a transmissão ocorre pela via oral-fecal
Quais são os sintomas e a forma mais comum
- Sintomas brandos característicos da fase podrômica que pode ser confundida com gastroenterite
- Forma anictérica
Qual a relação com síndrome colestática
- É a hepatite que mais cursa com síndrome colestática intra-hepática, causando colúria, acolia fecal e prurido
- Tem os marcadores canaliculares elevados: gama-gt e fosfatase alcalina
Qual a sorologia para hepatite A e como fazer o diagnóstico por meio dela
- anti-HVA IgM e igG
- Esses marcadores aparecem no plasma após 1 mês de contato
- O diagnóstico de hepatite aguda é feito quando igM positivo
Como o tratamento é feito
- restrição a exercícios físicos
- repouso
- controle dos sintomas
- restrição à drogas hepatotóxicas, como paracetamol
- restrição à ingestão de álcool por 6 meses
O paciente deve ficar em isolamento de contato?
- Não, pois ao apresentar os sintomas a fase de transmissão já passou
Como é feita a imunização (calendário vacinal) e a profilaxia pós-exposição
- Hepatite A dose única aos 15 meses de vida, até no máximo 23 meses
- Profilaxia pós-exposição com uma dose quando calendário incompleto
Hepatite B
Quais são os antígenos produzidos e qual status imunológico eles indicam
- HBSAg: presença do vírus - indica cronificação
- anti-HBS: cura por infecção ou vacinação
- anti-HBC IgM: infecção aguda
- anti-HBC IgG: indica contato com o vírus, não aparece no paciente vacinado
- HBEAg: indica replicação viral
- anti-HBE: indica que o vírus não está se replicando
Epidemiologia da doença
- entre 20 e 69 anos (devido principalmente ao contágio por via sexual)
- média de 35 anos
- homens
Qual o período de incubação
- de 30 a 180 dias - 4 a 6 semanas
Qual grupo tem maior chance de cronificar
- recém nascidos contaminados de forma vertical tem mais chance de cronificar na vida adulta
Quais são as vias de transmissão e qual o período de maior infectividade
- via por fluídos corporais, inclui a transmissão por relação sexual
- é o período no qual o HBEAg está positivo
Quais as peculiaridades da transmissão vertical
- A maior transmissibilidade ocorre no período intraparto, condições como rompimento da bolsa amniótica e contato da mucosa no bebê com as secreções da mãe
- A transmissão intrauterina varia de acordo com o HBeAg, sendo maior quando ele é positivo
- A transmissão aguda tem chance de 20% de transmissão no primeiro trimestre e 60% no segundo e terceiro
Qual um dos principais fatores que predispões à cronificação
- forma não clássica, sem icterícia, pois sugere uma resposta imune insuficiente
- permanência do HBsAg positivo por mais de 6 meses indica cronificação
Qual a cronologia do aparecimento dos marcadores sorológicos
- HBsAg - média de 30 dias após o contato sem sintomas
- Após 2 semanas surge o anti-HBC IgM: marca o período ictérico
- anti-HBC IgG marca o período de convalecência
Em qual contexto o HBeAg e o anti-HBE são importantes
- Contexto da cronificação da doença para estabelecer se a replicação está ativa ou não, isso institui o tratamento
Relação do quadro clínico com a faixa etária
- Quanto menor a idade mais chance de cronificar
- Quanto maior a idade mais chance de estabelecer a forma fulminante
- Adultos apresentam mais facilmente a forma ictérica
- Idosos apresentam mais facilmente a forma grave
- Crianças apresentam a forma assintomática com mais chance de cronificar
Quais são os sintomas/laboratório das evoluções benignas
- Assintomática: aumento das transaminases
- Anictérica: aumento das transaminases >500 e sintomas gripais
- Ictérica clássica: sintomas de icterícia + transaminases
- Recorrente ou recrudescente: pode acontecer o aumento das transaminases que já estavam melhorando, ocorre nos 6 meses de doença, após isso já é considerado como forma crônica
- Colestática: colúria, acolia, prurido, aumento de bilirrubina direta e das enzimas canaliculares (é mais clássica na hepatite A)
Quais são os sintomas/laboratório das evoluções malignas
- Encefalopatia de orgiem hepática com flaping, decortificação, alteração da consciência, distúrbio eletrolítico e febre persistente que surge em até 8 semanas
- O fígado diminui devido à necrose, por isso as transaminases diminuem
- Ocorre intenso aumento do anti-HBC IgM
- Leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda
Quais são os sintomas e como fica os marcadores laboratoriais e sorológicos na hepatite fulminante
- encefalopatia hepática: obinubilação, coma, torpor, distúrbio hidroeletrolítico
- TAP alargado
- hipoalbuminemia
- amônia aumentada
- bilirrubina direta aumentada
- anti-HBC IgM aumentado
Qual o perfil sorológico da hepatite B aguda
- HBSAg + e anti-HBC IgM +
Qual o perfil sorológico pós-vacinal
- anti-HBS (o anti-HBC só positiva quando houver contato com o vírus)
Qual o perfil sorológico da cura
- anti-HBS + anti-HBC IgG +
Qual o perfil sorológico da cronificação
- HBSAg + anti-HBE + ou HBEAg +
Como fazer o rastreio do carcinoma hepatocelular
- ultrassom e alfafeto a cada 6 meses
- biópsia hepática
Como instituir o tratamento
- HBsAg + TGO > 2x o LSN
- HBsAg + transaminases normais + > 30 anos
- HBsAg - om carga viral > 2000 (mutante pré-cor)
- HBsAg + HBeAg - CV baixa: tratar nos casos de história de câncer hepatocelular, coinfecção com HIV, cirrose e manifestação extra-hepática
Drogas de escolha
- Tenofovir
- Entecavir para cirroticos ou para quem tem insuficiência renal
- Interferon peguilano (casos específicos)
- Monitorar todos os marcadores sorológicos, carga viral, transaminases, USG, alfafetoproteína
Qual o esquema vacinal
- Primeira dose ao nascimento (monovalente)
- Segunda dose aos 2 meses (pentavalente)
- Terceira dose aos 4 meses
- Quarta dose aos 6 meses
Como é feita a profilaxia do RN
- Vacinação e imunoglobulina específica anti-HBs nas primeiras 12h após o parto
- A mãe deve ser tratada durante a gestação com tenofovir/lamivudina a partir da 28ª semana de gestação com HBeAg + carga viral
- Se a doença estiver em atividade na mãe e fibrose ou cirrose avançada, iniciar o tenofovir no primeiro trimestre
Hepatite C
Qual fluido transmite o HCV e quais são as principais vias de transmissão
- somente o sangue transmite o HCV, por isso a transmissão por via sexual é infrequente, sendo a maioria dos casos contraídos por uso de seringas compartilhadas
O que fazer quando a mãe é HCV +
- o tratamento não pode ser feito na gestante
- não há profilaxia para o feto
- o aleitamento materno deve ser restringido caso haja fissuras mamárias
Quais são os sintomas da fase aguda
- menos de 20% apresentam sintomas na fase aguda
- a chance de tornar portador crônico é de 80% e 1/3 evolui para cirrose
- quando tem sintomas, eles são clássicos de icterícia
- as transaminases apresentam característica flutuante
Como fazer o diagnóstico na fase aguda
- anti-HCV positivo, porém demora de 8 a 12 semanas para aparecer, por isso na suspeita de infecção é preciso solicitar HCV-RNA
Quais testes pedir para menores de 18 meses
- menores de 18 meses: HCV-RNA, se positivo solicitar o anti-HCV em 12 meses e se negativo solicitar HCV-RNA em 6 meses
Qual o tratamento para a fase aguda e como iniciá-lo
- assintomático: iniciar o tratamento de forma precoce
- sintomático ictérico: aguardar 12 semanas, se a carga viral não tiver diminuído, iniciar o tratamento
- quando acidente: dosar HCV-RNA após 1 mês e se positivo iniciar o tratamento
- medicação: interferon convencional em monoterapia por 24 semanas ou interferon convencional + ribavirina por 24 semanas
Hepatite D
Como é causada a infecção pelo HDV
Ela só é causada caso houver co-infecção com o vírus B, pois este é um facilitador de entrada
Quais são as duas classificações de hepatite D
- Coinfecção quando os dois estão na forma aguda
- Superinfecção quando o HDV é contraído no paciente com hepatite B crônica, essa forma pode causar hepatite fulminante e leva à cirrose 70% dos casos em 2 anos
Como fazer o diagnóstico laboratorial
- HDV-Ag ou HDV-RNA
Quando a pesquisa desse agente deve ser realizada quando o HBsAg por positivo
- Quando o portador visitar área endêmica, como a região norte do Brasil
Tratamento
- Alfaperguinteferon + tenofovir ou entecavir por 48 semanas
Comentários de questões
1
O vírus da Hepatite A (HVA) é causador de infecção aguda da doença que não cronifica, mas pode ter uma fase aguda fulminante, apesar de rara. Sua via de transmissão é a oral fecal e uma das formas de prevenção no Brasil é a vacinação que está disponível no SUS e faz parte do Programa Nacional de Imunização (PNI) com dose única aos 15 meses de vida. O diagnóstico é feito por meio da detecção de anticorpos anti-HAV. Quando este é negativo, significa que não houve contato com o vírus. Alternativa A - incorreta.
"HBsAg positivo" é o principal marcador que indica doença ativa pelo vírus. Quando o marcador está positivo há menos de 6 meses, diz-se que há Hepatite B Aguda. Se o tempo de positividade é maior de 6 meses, há Hepatite B crônica. Alternativas B e D - incorretas. Quando há cura da Hepatite B, há produção de anticorpos contra os antígenos virais, tais como o anti-HBs. Alternativa E - correta.
Alguns anticorpos indicam o contato prévio ou atual com o vírus: tais como o anti-HBc. O HBeAg indica replicação viral, o anticorpo contra esse antígeno seria o anti-HBeAg e este encontra-se positivo, em geral, quando há controle da infecção.
Um anti-HCV positivo significa contato prévio com o vírus da Hepatite C, mas não significa que o indivíduo possui doença crônica ativa. Para confirmar se há doença deve-se solicitar um teste quantitativo de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que confirma a presença do RNA do vírus no indivíduo e, portanto, doença crônica. Alternativa C - incorreta.