Arboviroses
Manual de Arboviroses Ministério da Saúde
Fluxograma de atendimento Ministério da Saúde 2024
https://drive.google.com/file/d/1TSqgLIqZQtl4YO1SrcgdUZT0tFMYlhYt/view
Dengue
Agente etiológico
- Vírus RNA da família Flavivírus
- Dividido em 5 sorotipos, sendo que o tipo 5 não existe no Brasil
- Existe imunidade permanente para cada tipo de sorotipo, então uma pessoa pode se contaminar 4 vezes
- Infecção sequencial tem maior risco de evoluir para forma grave
- Vetor: Aedes aegypti
- Período de incubação: 15 dias após o contato
Manifestações clinicas
- Caso suspeito: febre + duas manifestações
- Febre que dura no máximo 7 dias
- Mialgia intensa
- Dor retro-orbital
- Exantema no segundo ao quarto dia (Zica o exantema pode aparecer primeiro que a febre)
- Petequias na prova do laço (plaquetopenia)
- Vômitos
- Leucopenia a custa de neutropenia (não é sinal de gravidade)
- Melhora da febre entre o terceiro e quarto dia COM a possibilidade de agravamento dos sintomas justamente quando a febre abaixa
- Dengue com sinais de alarme: apenas um sinal entre os 8 possíveis
- Sepse viral: tempestade de citocina, principalmente em quem ja teve dengue anteriormente. Essa resposta atua na parede dos vasos sanguíneos e nas plaquetas
- Inflamação vascular = aumento da permeabilidade (principal causa de morte) = CHOQUE HIPOVOLÊMICO
- Hemoconcentracao com aumento do hematócrito
- Lipotimia ou hipotensão postural
- Derrame pleural, pericárdico e ascite
- Pode haver redução da perfusão tecidual devido ao aumento da permeabilidade = DISFUNÇÃO ORGÂNICA
- Dor abdominal continua (devido a isquemia dos tecidos)
- Vômitos persistentes devido a perda da peristalse
- Hepatomegalia > 2cm
- Letargia e irritabilidade
- Destruição plaquetária
- Sangramento de mucosa: gengivorragia e epistaxe
- Dengue grave: apenas um sinal
- Extravasamento plasmático grave com choque hipovolêmico (principal causa de morte)
- Diagnóstico feito pelo exame físico
- Hipotensão OU pressão convergente (diferença de PAS e PAD < 20mmHg)
- Pulso fino e rápido
- TEC > 2s
- Diagnóstico feito pelo exame físico
- Disfunção orgânica grave (predileção por disfunção grave de um órgão)
- Encefalite
- Miocardite
- Hepatite
- Sangramento grave
- Hemorragia digestiva
- Hemorragia SNC
- Extravasamento plasmático grave com choque hipovolêmico (principal causa de morte)
- Caso suspeito: febre + duas manifestações
Confirmação diagnostica
- Pesquisa do vírus nos primeiros 5 dias: antígeno viral NS1 (melhor até o terceiro dia de doença)
- Não adianta fazer sorologia nos primeiros 5 dias
- Após o quinto dia a sorologia pode ser feita com IgM
- A confirmação por exames não é necessária para o diagnostico
- Quando solicitar: dengue C e D (paciente grave) OU em casos em que não ha epidemia para a doença
Prova do laço
- Não da diagnostico de dengue
- Útil para avaliar a chance de haver extravasamento plasmático
- Avalia o grau de fragilidade capilar que está correlacionada com o risco de agravamento
- ETAPAS
- Aferir a PA e calcular a média (PAS + PAD)/2
- Insuflar até a média da PA e deixar assim por 3 minutos na criança e 5 minutos no adulto
- Desenhar um quadrado com 2,5cm de lado no local que há maior concentração de petequia, então desenhar depois delas aparecerem
- Criança pelo menos 10 e adulto pelo menos 20 para caracterizar a prova como positiva
Tratamento
- Analgesia: NÃO PODE SER REALIZADA COM AINE E AAS (são agentes anti-plaquetários = inibe plaqueta = agrava o quadro)
- Dipirona ou paracetamol
- Suporte clínico dependendo do tipo de dengue: hidratação é uma das partes mais importantes devido ao risco de choque hipovolêmico
- Grupo A: precisa ser reavaliado em 48h devido ao risco de sinais de gravidade
- Grupo B: precisa do hemograma antes de ser liberado
- Grupo C: internar em enfermaria e fazer ataque de hidratação e avaliar resposta se melhorou o paciente pode seguir para a fase de manutenção, se não melhorou repetir ataque de hidratação até 3x
- Grupo D: o C que não melhorou ou o paciente que já apresenta um sintoma grave, internar em UTI. Quando for reclassificada para o grupo C, começar do inicio a hidratação. Caso não melhore, realizar medidas que podem ajudar a manter o plasma dentro do vaso
- Analgesia: NÃO PODE SER REALIZADA COM AINE E AAS (são agentes anti-plaquetários = inibe plaqueta = agrava o quadro)
Chikungunya
Agente etiológico
- Alphavirus da família Togaviridae
- Também transmitido pelo Aedes
Características clinicas e laboratoriais de cada fase da doença
FASE AGUDA 3-10 dias
- Marcada pela replicação viral (período de viremia)
- Clínica: dor articular intensa simétrica e distal (mãos, pés e punhos - semelhante a artrite reumatoide), pode evoluir para uma artrite com eritema e edema articular + febre
- Diagnóstico: sorologia + PCR especifico para o vírus
- Linfopenia (diferente da dengue que é neutropenia)
- Tratamento: sintomáticos para amenizar dores articulares e reduzir a chance dos sintomas se cronificarem
- Repouso
- Analgesia (não usar AINE e AAS): com dipirona e paracetamol, pode usar tramadol se não responder aos analgésicos comuns
- Compressas geladas nas articulações
- Fisioterapia
FASE SUBAGUDA até 3 meses
- Resposta imune que causa a doença - nao tem vírus circulante nesse momento
- História de que melhorou das dores articulares, porém eles retornam nas mesmas articulações da fase aguda
- Diagnóstico: sorologia
- Tratamento
- Corticoide para modulação da resposta imune = prednisona
FASE CRÔNICA > 3 meses
- Resposta imune que causa a doença - diagnostico por sorologia (IgG)
- Clínica: destruição da articulação como se fosse uma artrite reumatoide
- Mais comum em mulheres > 45 anos que já tinham um comprometimento articular
- Tratamento: modulação da resposta imune
- Hidroxicloroquina
- Metotrexato


