Infecção das meninges ou do espaço subaracnóide que pode atingir o encéfalo
Fisiopatologia
Como ocorre a infecção e a resposta imune: a infecção ocorre devido ao rompimento da barreia encefálica por contiguidade, via hematogênica, fístula ou contaminação por neurocirurgia ou punção. Geralmente por colonização das vias aéreas. A resposta imune que causa os sintomas no hospedeiro, o liquor tem deficiência de imunoglobulinas e complemento, por isso a replicação bacteriana nesse espaço é mais fácil.
Quais são os componentes bacterianos liberados na lise: lipoproteínas, ácido teicóico e peptídeoglicano que iram ativar citocinas principalmente TNF-alfa e IL-1.
Quais células do SNC atuam na resposta inflamatória: astrócitos, micróglia, leucócitos e células da microvasculatura
Como o edema é formado: a liberação de citocinas aumenta a permeabilidade celular, fazendo com que um exsudato extravase (edema vasogênico). As células da resposta imune também contribuem com esse edema por liberar óxido nítrico e pela degranulação de neutrófilos (citotóxico) e o bloqueio da drenagem (edema intersticial)
O que o acúmulo de liquor causa: hipertensão intracraniana, hidrocefalia
Como a pressão de perfusão cerebral é regulada e o que acontece na meningite: ela é regulada de acordo com a pressão arterial sistêmica, não deixando que ocorra quedas ou aumentos. Na instalação da meningite esse mecanismo de defesa se perde, assim numa hipotensão arterial a pressão de perfusão também irá diminuir, o que gera isquemia cerebral, enquanto na hipertensão ela contribui para agravar o edema
Quais complicações o processo inflamatório no espaço subaracnóide causa: vasculite (quando atinge os vasos da base) causando trombose e isquemia e abscessos
Etiologia
Do nascimento até 3 meses: agalactie, listeria e enterobactérias (e. coli)
De 3 meses a 18 anos: meningococo, pneumococo e hib
Dos 18 anos aos 50 anos: pneumococo, meningococo e hib
Maior que 50 anos: pneumococo, listeria e enterobactérias
Qual o patógeno que determina os casos de maior gravidade: pneumococo
Pós neurocirurgia: aureus ou epidermidis
Imunocomprometidos e gestantes de 26 a 30 semanas: listeria
Pós punção lombar: aureus e pseudomonas
Quais são as condições de risco para meningite por pneumococo
Pneumonia, sinusite, otite, esplenectomia, diabetes, alcoolismo, fratura de base de crânio
Síndrome toxêmica
febre, mal-estar geral, náuseas, vômitos em jato, agitação psicomotora e sinal de faget
equimoses com petéquias na causada por meningococo
Síndrome de irritação meníngea
Sinais de irritação meníngea: rigidez de nuca, Kerning, Brudzinski e sinal do desconforto lombar
No lactente esses sinais não são evidentes, devendo suspeitar de meningite num quadro de sepse sem caso aparente, por irritação, choro ou recusa alimentar
Síndrome de hipertensão intracraniana
cefaleia holocraniana intensa
náuseas e vômito em jato
fotofobia
confusão mental
déficits focais e papiledema (conferir antes de puncionar)
Como fazer o diagnóstico
Quando e onde a punção liquorica é indicada: nos casos que não tem indícios de hipertensão intracraniana, deve ser feita entre L1 e S1. Nos lactentes com sepse sem sinal localizatório
Como fazer o diagnóstico quando HIC: colher duas hemoculturas, iniciar antibiótico de amplo espectro, fazer ressonância e se não tiver HIC indicar punção
Qual a única contraindicação absoluta para punção: infecção do sítio de punção
Como avaliar o liquor
Pressão: acima de 18
Coloração: turva ou com sangue
Celularidade: normal até 4 células com predomínio de LMN, na meningite > 500 células com predomínio de neutrófilo
Glicose: normal acima de 40 ou 2/3 da glicemia capilar. Ocorre hipoglicorraquia
Proteína: normal até 30, está acima de 45
Aglutinação pelo látex e cultura: teste para identificar o patógeno
Tratamento com antibiótico
Tratamento com outros medicamentos
Corticoide (dexametasona 10mg IV 6/6h por 4 dias) de preferência 15-30 minutos antes do antibiótico, no máximo junto com a dose, não há efeitos após 6h de atb
Hidratação com solução isosmolar evitando hiper-hidratação
isolamento por 24h caso seja meningococo
elevar a cabeceira da cama
diazepam para o tratamento de convulsões e hidantoína ou fenobarbital para o controle
ventilação mecânica na presença de coma ou arritmia respiratória
Evolução e controle
Geralmente evolui bem em 12h após o início do tratamento, caso os sintomas não melhorem ajustar o ATB ou pesquisar por complicações. A irritação meníngea demora mais tempo
Punção de controle após 72h
Quais são as possíveis complicações
coma
choque séptico
secreção inadequada de ADH com hiponatremia
hidrocefalia
sequelas: surdez, hidrocefalia, epilepsia e retardo psicomotor e intelectual
Profilaxia
Meningococo: isolamento respiratório por 24h, rifampicina para crianças e adultos contactantes. Para gestante utilizar ceftriaxone. Vacinação
Hib: rifampicina quando houver criança com menos de 4 anos no local, quando a criança tem vacinação completa não precisa de profilaxia, quando tem vacinação incompleta deve-se completar o cartão
Esquema vacinal para hib: pentavalente (HIB + DTP + HBV) no segundo, quarto e sexto mês de vida
Marcadores de mau prognóstico
rebaixamento do nível de consciência
convulsão dentro de 24h da admissão hospitalar
extremos de idade
sinais de HIC
choque ou necessidade de ventilação mecânica
atraso no início da terapia
liquor com glicose < 40 ou
Quais são os vírus mais comuns
caxumba
EBV
cocksakie
CMV
HIV
Sífilis no lactente com liquor claro
Diferença no liquor entre as etiologias de meningite
⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".