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Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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Sífilis

https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/2021/manual-tecnico-para-o-diagnostico-da-sifilis
  • Etiologia, transmissão e classificação
    • Treponema
    • Maior transmissão na sífilis primaria e secundaria
    • Alta taxa de transmissão vertical em gestantes
    • Sífilis recente (primária, secundária e latente recente): menos de dois anos de evolução
    • Sífilis tardia (latente tardia e terciária): mais de dois anos de evolução

  • Sífilis primária
    • Tempo de incubação: 10-90 dias
    • Manifestação: ulcera única e indolor com borda bem definida e regular, endurecida de fundo limpo, sem secreção (cancro duro) + linfadenopatia regional = momento de grande transmissibilidade
    • Duração da lesão: de 3-8 semanas com o desaparecimento independente do tratamento
    • Nenhum teste sanguíneo é positivo nessa fase, para o diagnóstico deve ser feito o raspado da lesão com a visualização das espiroquetas
    • O diagnóstico pode ser clínico com os testes realizados posteriormente
  • Sífilis secundária
    • Aparecimento em média de 6 semanas a 6 meses após a cicatrização do cancro duro, podendo chegar a 2 anos
    • Pápulas eritemato-castanhadas, caracteristicamente atinge região plantar e palmas com colarinho de escamação, não é pruriginosa
    • Pode ter sintomas sistêmicos associados como febre baixa e mal estar
    • Também desaparece em algumas semanas sem tratamento
    • Nesse caso realizar o teste rápido se disponível na unidade
    • Erupção cutânea indeterminada deve ser investigada como sífilis
    • É nessa fase que tem a maior quantidade de treponema circulando sistemicamente com maiores títulos do VDRL
    • Pode ter linfodenomegalia generalizada = diagnóstico diferencial de HIB e mono-like
    • Solicitar o VDRL e o FTA-ABS
  • Sífilis latente
    • Período em que não tem sinal ou sintoma
    • Diagnóstico feito pelos testes treponemicos e não treponemicos
    • Latente recente: menos de um ano de infecção
      • VDRL geralmente alto
      • Quase nunca existe essa certeza de que o paciente se infectou em menos de um ano. Avaliar se tem sorologia anterior para comparação
    • Latente tardia: mais de um ano de infecção
      • VDRL geralmente baixo
      • Não sabe quando houve a infecção = tratamento intensivo
    • Paciente sem clínica com VDRL positivo sem histórico de tratamento = sífilis latente = iniciar tratamento
  • Sífilis terciária
    • De 1 a 40 anos após a infeccao não tratada
    • Sífilis terciária não é neurosífilis
    • Acometimento do sistema nervoso (demência) e cardíaco. Presença de goma sifilização (ulcera de grande dimensão em várias regiões do corpo)
    • Baixa quantidade de treponema circulando, então os títulos de VDRL são baixos
  • Quais são os exames diagnósticos e como eles funcionam
    • Treponêmicos: FTA-Abs e teste rápido. Marca contato com o agende e podem ficar positivos para o resto da vida - cicatriz sorológica
      • Positiva primeiro antes do VDRL
    • Não treponêmico: serve como controle de cura (torna-se positivo de 1-3 semanas após a infecção) VDRL. Pode cair mesmo sem tratamento quando latente ou terciária, então perguntar se o paciente já fez tratamento em alguma vez na vida
      • Maiores títulos na forma secundária
      • Os títulos na forma tardia podem ser baixos, pois não há circulação sistêmica do treponema
      • No momento da úlcera o teste não é positivo
      • É um teste feito por diluição, ou seja, quantas vezes o examinador conseguiu ver o treponêma em cada diluição. Então quanto maior o denominador (exemplo 1/32), maior quantidade de treponema na amostra. Por ser examinador dependente, ele deve ser considerado como aumento ou diminuição com aumento de 2 diluições, por exemplo, 1/4 - 1/16
    • Baixos títulos de VDRL (1/2 1/4 1/8)
      • Infecção recente
      • Estágios tardios
      • Pessoas adequadamente tratadas que não atingiram a negativação, cicatriz sorológica
  • Diagnósticos diferenciais

    Úlcera genital com menos de 4 semanas, segundo o Ministério da Saúde deve ser feito o tratamento para sífilis e para Haemophilus ducrae (cancro mole) = penicilina G benzatina 1.200.000 em cada nádega + azitromicina 1g

    • Sífilis - cancro duro
    • Haemophilus ducrae - cancro mole - dolorosa, sangrante, friável, múltiplas e deixa cicatriz
    • Chlamydia - linfogranuloma venéreo - mais crônica
    • Herpes genital - vesículas com ardência
    • Klebsiela granulomatis - donovanose - ulcera com evolução mais crônica com mais de 4 semanas
  • Linfogranuloma venéreo
    • Lesão indolor - o que confunde com a sífilis
    • Adenopatia inguinal dolorosa unilateral que pode supurar e fistulizar
    • Pode causas uma uretrite purulenta associada
    • Tratamento doxicilina ou azitromicina
  • Donovanose
    • Nodulação unilateral indolor que forma uma ulceração sangrante dolorosa posteriormente
    • Diagnóstico biópsia evidenciando o corpúscuolo de Donavan
    • Tratamento doxicilina ou azitromicina
  • Tratamento
    • Benzetacil uma ampola em cada nadega em dose única
    • Acompanhamento mensal para gestantes com VDRL
    • Acompanhamento trimestral para demais pessoas com VDRL (então repetir o teste no 3, 6, 9 e 12 meses)
    • Se houve exposição sexual (até 90 dias anteriores) realizar o tratamento mesmo sem testes ou sintomas com dose única de 2,4 milhões (metade em cada nadega)
    • Tratamento imediato com apenas um teste positivo:
      • Gestantes
      • Violência sexual
      • Sinais e sintomas de sífilis primária
      • Pessoas que tem chance de perder o seguimento
    • Ideal é sempre pedir VDRL para acompanhar a queda do título. O ideal é a queda de 2 títulos em 3 meses
    • Reação de Jarisch-Herxheimer piora das lesões com a penicilina, mas não deve ser confundido com alergia. Ocorre após 48h do uso da medicação com rash, febre, mialgia e cefaleia. Fazer uso de anti-inflamatório e não parar com o tratamento
  • Acompanhamento do tratamento
    • Em gestantes realizar o VDRL mensalmente
    • Em demais pessoas realizar a cada 3 meses
    • Pode ser liberada de novas oleias após um ano de seguimento após o tratamento
    • Espera-se a queda de dois títulos em 3 meses ou queda de três titulos em 6 meses
    • Cicatriz sorológica: persistência de resultados reagentes após o tratamento adequado, com queda previa da titulação em pelo menos duas diluições. Desde que seja descartado nova exposição de risco no período analisado
  • Qual a indicação de coleta de liquor para pacientes assintomáticos
    • Se após o retratamento não obtiver os critérios de cura
    • Em pacientes HIV + sempre que indicar novo tratamento e coleta de liquor nesse momento
    • Pacientes HIV + com sintomas neurológicos e oftalmológicos agudos / subagudos

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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