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📚 RESUMOS E GUIAS

Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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AVE

Fonte: Medicina de Emergência USP

Isquêmico

  • Sinais e sintomas gerais

    Definição: déficit neurológico focal súbito

    • Cefaleia súbita
    • Paresias e parestesias aguda
    • Desvio da rima labial
    • Incapacidade de movimentar os músculos da fala
    • Disfagia
    • Rebaixamento do nível de consciência
  • Sintomas de acordo com o território cerebral acometido
    • Artéria cerebral média: pode pegar as duas áreas da fala, sintomas sensitivos e motores que podem poupar o membro inferior
    • Artéria cerebral anterior: sintomas sensitivos e motores, geralmente de membro inferior
    • Artéria cerebral posterior: sintomas visuais
    • Ramos perfurantes: sintomas de déficit motor puro, pois atingem a cápsula interna (hemiplegia contralateral pura)
    • Tronco encefálico: afeta os pares cranianos
  • Trombose X embolia
    • cardioembólico: FA, infarto de parede anterior
    • ateroembólico: principalmente pela presença de placa instável na carótida
    • tromboembólico: geralmente ocorre nas artérias perfurantes
  • Anamnese e conduta direcionada na emergência
    • Tempo do início dos sintomas, quando foi a ultima vez que o paciente foi visto bem
    • Uso de medicações e anticoagulantes
    • Avaliar sinais vitais + nível de consciência + exame neurológico para identificar déficit focal
    • REALIZAR DXT PARA AFASTAR HIPOGLICEMIA
    • Realizar NEUROIMAGEM o mais rápido possível = excluir causas hemorrágicas
      • TC exame mais rápido e a primeira escolha
      • RNM quando não sabe quando o paciente foi visto bem pela última vez, porém a disponibilidade do exame é muito pequena
  • Achados na TC para AVE hemorrágico X isquêmico
    • Isquêmico: área HIPOdensa (escura) que geralmente só aparece depois de 24h
    • Hemorrágico: área HIPERdensa (branca)

Abordagem inicial do AVC: diferenciar isquêmico e hemorrágico com tomografia de crânio sem contraste.

  • Tratamento inicial
    • Estabilização clínica: monitorização da glicemia (a cada 6h), temperatura (a cada 4h) e concentração de sódio (risco de edema cerebral por hiponatremia)
      • Manter saturação acima de 95%, usar O2 suplementar caso necessário
      • Considerar IOT em caso de risco de aspiração significativa por disfagia
    • Não hidratar demais nem usar muito soro glicosado devido ao risco de hiponatremia e hiperglicemia
    • Exames: ureia, creatinina, sódio, potássio, glicemia, ECG, hemograma, marcadores de necrose cardíaca, coagulograma e gasometria arterial
    • Pressão arterial: limite superior de 220x120 - hipertensão permissiva, se candidato à trombólise manter abaixo de 185x110
    • Risco de transformação hemorrágica: quando a PA se eleva acima de 220x120
    • Trombólise:
      • janela terapêutica: até 4,5h do início dos sintomas
      • dose de alteplase: 0,9mg/kg máximo de 90mg sendo 10% da dose de imediato (em bolus) e o restante em 60 minutos em bomba de infusão
      • se acordou com o déficit: indicação formal de fazer RNM DWI e flair para se comparar as duas imagens, se aparece no DWI, mas não aparece no flair é pq a lesão é recente
      • usar dois acessos venosos periféricos
      • evitar pegar acesso central em até 24h da trombólise
    • Em caso de hemorragia durante a trombólise:
      • checar hematócrito, TAP, PTTa e fibrinogênio
      • parar de infundir o rTPA
      • investigar de onde vem o sangramento
      • incluir 5 unidades de crioprecipitado (repor fibrinogênio)
      • caso o sangramento persista, infundir uma unidade de plaqueta ou 2-3 de plasma fresco congelado
      • infundir concentrado de hemácias para manter o hematócrito adequado
      • infundir fluidos e tratar hipotensão
      • se hemorragia no SNC avaliar neurocirurgia
    • antiagregação plaquetária: se for fazer trombóllise, começar após 24h com AAS e heparina profilática
    • trombectomia mecânica:
      • janela: 24h, melhor fazer em 6h
      • artérias: cerebral média na porção inicial e cerebral anterior
      • deve ser feita uma angio-TC com contraste para avaliar a anatomia vascular
      • O tempo do início dos sintomas deve ser de até 6h NIHSS > 6
    • AVCI fora da janela
      • Iniciar AAS 75-300mg/dia
      • Reduzi PA somente se PAS > 220 ou PAD > 120
      • Anticoagulação plena (AVC causado por FA): AHA recomenda aguardar de 4-14 dias para iniciar
      • Manter glicemia entre 140-180
      • Evitar hipertermia
      • Avaliação de equipe multiprofissional

Trombólise pode ser indicada em casos selecionados de AVC isquêmico dentro da janela terapêutica.

  • Monitorização durante a trombólise

    Pressão arterial:

    • Iniciar apenas se PA < 180x105, manter esse valor nas 24h seguidas
    • Aferir PA a cada 15min por 2h depois a cada 30mg or 6h e depois a cada hora até completar 24h do tratamento

    Sinais de transformação hemorrágica: interromper trombólise e realizar TC

    • Náuseas
    • Vômitos
    • Hipertensão aguda ou refrataria
    • Cefaleia intensa
    • Piora neurológica
  • Quais são os cuidados a serem tomados após o tto com alteplase
    • Aferição da PA conforme horários do item anterior
    • Evitar sonda nasoenteral e vesical
    • Evitar acesso central
    • Evitar uso de AAS e anticoagulantes
    • Repetir TC em 24h
  • Controle máximo e mínimo da PA
    • Deve ser mantida abaixo de 180x100 mmHg para realização de trombólise
    • Em idosos não deve haver abaixamento súbito da PA (aumento da área de penumbra) - mantendo entre 160 e 180
    • o fluxo pelas colaterais é dependente da PA, por isso ela aumenta e por isso diminuições bruscas não são recomendadas
    • nitroprussiato de sódio 0,5mcg/kg/min se a diastólica for > 140, se não for usar labetalol
  • Contraindicações absolutas de trombólise
    • histórico de AVEi e TCE nos últimos 3 meses
    • AVEh prévio
    • NIHSS < 5 com deficit neurológico não incapacitante
    • Sinais de hemorragia na TC
    • Cirurgia intracraniana ou de medula nos últimos 3 meses
    • Plaquetas < 100.000
    • Neoplasia gastrointestinal ou sangramento gastrointestinal nos últimos 30 dias
    • Se recebeu dose terapêutica de heparina de baixo peso molecular nas ultimas 24h
    • Suspeita de dissecção de aorta
    • Neoplasia intracraniana
  • Tratamento ambulatorial
    • aterotrombótico: antiagregação plaquetária com AAS 100-300mg/dia e controle dos fatores de risco, pode ter uma intervenção cirúrgica da placa de ateroma
    • cardioembólico: anticoagulação plena com cumarínicos ou os novos, mantendo o INR entre 2-3 e controle da FA
    • exames complementares: ECO, ECG e doppler de carótidas e vertebrais
    • endarterectomia carotídea
      • isquemia cerebral sintomática compatível com lesão carotídea encontrada
      • obstrução de 70-99% unilateral
  • Complicações
    • contraturas musculares
    • broncoaspiração
    • pneumonia
    • infecção urinária
    • desnutrição
    • úlcera de decúbito
    • TVP e TEP
  • Diagnósticos diferenciais
    • Crise epiléptica: abalos musculares, automatismos e antecedentes de outras crises
    • Hipoglicemia: rebaixamento + DXT baixo
    • Aura de enxaqueca: sintomas transitórios e seguidos de cefaleia
    • Encefalopatia de Wernicke: antecedentes de etilismos e desnutrição
    • Hemorragia subdural crônica agudizada: histórico de quedas frequentes, déficit neurológico progressivo com piora súbita
    • Tumor cerebral: déficit neurológico progressivo com piora súbita
    • Transtorno conversível: ausência de déficits neurológicos objetivos, achados inconsistentes no exame físico
  • AIT
    • Sintomas transitórios que duram menos de 1h sem evidencia de isquemia cerebral
    • risco para AVE depois de AIT: idade maior que 60, pressão maior que 140x90, sintomas focais, duração do déficit maior que 60 minutos e diabetes
    • Realizar investigação etiológico com ECG, ECO e Doppler de carótida

Hemorrágico

  • AVE intraparenquimatoso

    Intraparenquimatoso: comprime o neurônio e o sintoma é de déficit focal. Causa de morte: HIC que leva a herniação cerebral que comprime o tronco encefálico

    • cefaleia intensa, déficit neurológico focal, rebaixamento da consciência
    • tto: IOT se rebaixado, colocação de cateter de PAM invasiva e cateter de PIC
    • Controle da PA
    • Manter paciente monitorizado
    • Avaliar sintomas de HIC
    • Lesão hiperintensa (branca) na TC

  • Etiologias de AVE intraparenquimatoso
    • Hipertensão artéria crônica que leva ao enfraquecimento das artérias perfurantes predispondo ao sangramento
    • A ruptura dessas artérias em pequena quantidade leva ao chamado aneurisma de Charcot-Bouchard
    • Hemorragia secundária: uso de anticoagulante, uso de anticoncepcional em mulheres tabagistas ou puérperas, malformações arteriovenosas e neoplasia no SNC
  • Sintomas AVE intraparenquimatoso
    • Cefaleia intensa com déficit focal agudo
    • Pode haver sinais de hipertensao intracraniana como náusea, vomito, rebaixamento e convulsões
  • Tomografia
    • Com contraste
    • Spot sign: extravasamento de contraste (ponto mais branco dentro da região hemorrágica) = sinal de que o hematoma irá aumentar
  • Tratamento
    • Maner PAS 140-150, abaixo de 130 é danoso
    • Se for secundária ao uso de anti-coagulantes, esses devem ser suspensos
      • Varfarina: vitamina K EV + complexo prtrmbinico ou plasma fresco congelado
      • Dabigatrana: idarucizumabe
      • Heparina: sulfato de protamina
    • Não existe beneficio de realizar Anticonvulsivantes profilático

Hemorragia subaracnoidea HSA

  • HSA

    HSA:

    • causas: aneurisma sacular (35-55 anos) ou malformação arteriovenosa (15-30 anos)
    • clínica: não apresenta déficit focal, cefaleia holocraniana súbita extenuante + perda da consciência + rigidez de nuca (sinal tardio)
    • Escala de Hunt-Hess
      • grau 1: lúcido e cefaleia leve
      • grau 2: cefaleia + rigidez
      • grau 3: sonolento
      • grau 4: torpor e déficit focal
      • grau 5: coma
    • particularidade da TC: contorno bem definido do mesencéfalo
    • se a TC está normal: coletar líquor e analisar a cor, se de aspecto amarelado = xantocromático = hemorragia
  • Etiologias de HSA
    • Trauma
    • Forma mais comum não traumática: ruptura de aneurisma
  • Sintomas HSA
    • Thunderclap headache: cefaleia que se torna insuportável atingindo o pico da dor em 1 minuto
    • Irritação meningea = sinais de Kernig e Brudzinski
    • Hipertensão intracraniana com coma associado
    • Cefaleia sentinela: sintomas menos intensa em dias anteriores
  • Escala de Hunt-Hess

    Avaliação clínica do acidente

    1- assintomático

    2- cefaleia de forte intensidade ou meningismo, sem déficit neurológico, exceto paralisia de nervo craniano

    3- sonolência e déficit neurológico focal

    4- torpor, moderada ou grave hemiparesia

    5- coma profundo, postura de descerebração

  • Classificação da hemorragia - Escala de Fisher
    • grau 1: sem sangue na TC
    • grau 2: lâmina de sangue fina < 1mm
    • grau 3: lâmina > 1 mm
    • grau 4: hemorragia intracerebral/ventricular
  • Complicações do AVEh HSA
    • ressangramento: pode ocorrer até o 7º dia, conduta drenagem precoce
    • vasoespasmo: ocorre irritação química dos vasos, geralmente acontece entre o 3º e 14º dia, o vasoespasmo causa isquemia, o monitoramento é feito com doppler transcraniano no qual se compara o grau de perfusão em cada medida, o tratamento é feito induzindo a hipertensão arterial
    • hidrocefalia: trombose com obstrução da drenagem do liquor, solução = derivação ventricular
    • hiponatremia:
      • síndrome cerebral perdedora de sal, ocorre um aumento do BNP que estimula a secreção de ADH (secreção apropriada), faz natriurese, porém não consegue reter a quantidade de água necessária = hipovolemia. Pulsos finos, cava abalada e hipotensão
      • SIADH: ocorre uma hipervolemia transitória que estimula a secreção de PNA que controla a volemia, então tem uma normovolemia
  • Conduta para HSA
    • Exames complementares após o diagnóstico:
    • Tratamento cirúrgico: clipagem de aneurisma que deve acontecer antes do 3º dia ou após o 14º dia, não deve ser feito na janela de ocorrência do vasoespasmo
    • Controle da PA: sistólica deve ser mantida menor que 160
    • Neuroproteção para AVEh subaracnoide: nimodipina 60mg de 4/4h por 14-21 dias (é um bloqueador do canal de cálcio)

Check list de atendimento

Cenário: paciente com deficit focal agudo ou rebaixamento do nível de consciência aguda

  • Monitorização em sala de emergencia
  • Pegar acesso venoso periférico
  • Coletar DXT para avaliar glicemia
  • Perguntar sobre tempo de início de sintomas
  • Perguntar e avaliar no exame físico sobre déficits neurológicos
  • Perguntar sobre medicações do paciente principalmente de anticoagulantes
  • Realizar escala NIHSS
  • Levar paciente para TOMOGRAFIA (se em serviços sem esse exame, regular via SUS fácil = tempo é cérebro. Não é possível diferenciar se AVCi ou AVCh só pelos sintomas clínicos
  • Afastar etiologia hemorrágica
  • Manter PA abaixo de 180x95 nos pacientes candidatos a trombólise
  • Avaliar trombólise ou transferência do paciente para centro de referencia de AVC
  • Manter monitorizado com controle da PA, temperatura, glicemia e sinais vitais

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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