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Resumos Clínicos

“Ouça seu paciente e ele está dizendo a você o diagnóstico” William Osler

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Epilepsias

  • Investigação
    • o que aconteceu, antes, durante e depois
    • entrevistar testemunhas
    • sinais premonitórios (alteração de odor) ou aura
    • história familiar
    • crise febril na infância
    • TCE ou AVE recentes
    • infecções ou neoplasias do SNC
    • privação de sono
    • doenças sistêmicas
    • Exames: hemograma, eletrólitos (Na, K, Ca, Mg), glicemia, função renal e hepática e EAS. Toxicológico e culturas se necessário
    • RNM
    • EEG quando tiver mais de 2 crises espontâneas
  • Diagnósticos diferenciais
    • Síncope: perda da consciência e do tônus, geralmente é vasovagal ou neurocardiogênica
      • desencadeantes: emoções, manobra de valsalva, hipotensão postural e doenças cardíacas
      • sintomas: escurecimento visual, náuseas, cansaço, sudorese
    • Crise psicogênica: associado a distúrbios psiquiátricos como transtornos conversivos
    • Quando parar o tratamento: ausência de crises de 2-5 anos, tratamento contínuo por pelo menos 2 anos, exame neurológico e inteligência normais, único tipo de crise e EEG normal
  • Crise febril ou convulsão febril
    • epidemiologia: crianças de 6 meses a 5 anos
    • tipo de convulsão: tônico-clônica
    • risco de recorrência: ocorre nas primeiras 24h da febre, com febre entre 38-39 graus em crianças menores de 1 ano
    • fatores de risco para desenvolver epilepsia: atraso no DNPM
    • conduta:
      • durante a covulsão: tratar a convulsão com midazolam (pode ser feito IM) ou diazepam (só pode ser VO)
      • pós convulsão: descobrir a origem da febre
    • quando indicar punção lombar: quando criança menor que 6 meses, status vacinal incompleto e crise complexa
    • crise complexa: focal, dura mais de 15 minutos, período pós-ictal com sonolência prolongada ou com Síndrome de Todd (paralisia do local), recorrência em até 24h
  • Definição
    • convulsão: alteração aguda e transitória da função cortical com descargas anômalas, excessivas e sincronizadas
    • crise epilética: 2 ou mais crises não provocadas com intervalo menor que 24h
  • Investigação com punção lombar
    • crianças menores de 6 meses (investigar meningite)
    • status vacinal incompleto
    • crise complexa
    • HIV +
  • Focal
    • sem perda - sem discognição
    • com perda - com discognição, pode ser acompanhada de automatismos
    • focal para tonico-clonico bilateral
    • ocorre só em um hemisfério
    • pode ocorrer generalização secundária de uma crise que começa como aguda
  • Generalizada

    Não motora

    • ausência:
      • epidemiologia: crianças na fase escolar, geralmente os pais queixam de déficit de aprendizado
      • sintomas: apagões súbitos e transitórios sem a perda do tônus muscular
      • desencadeada por hiperventilação ou privação de sono
      • tratamento: etossuximida, valproato e lamotrigina
      • não usar: carbamazepina e gabapentina

    Motora

    • tônico-clônica
      • como acontece a crise: tem uma fase tônica que dura alguns segundos seguida da fase clônica (relaxamento seguido de contração muscular)
      • o que pode acontecer em outros sistemas: acumulo de salina nas vias aéreas, grito ictal, mordedura dos lábios, cianose, hiperatividade simpática com aumento da PA, FC e temperatura, midríase e sudorese
      • pós-ictal: flacidez generalizada e liberação esfincteriana
    • miotônica: pequenas contrações em grupos musculares inespecíficos que podem ser despercebidos

    Tratamento

    • quando começar: após a segunda crise
    • quando suspender: 2 anos sem crise
    • qual droga usar:
      • focal: carbamazepina, valproato, lamotrigina
      • generalizada: valproato e lamotrigina
      • contraindicação: valproato é contraindicado nas gestantes
  • Síndrome de West
    • ocorre no lactente de 4 a 7 meses, acredita-se que a fisiopatologia seja por imaturidade do SNC
    • ocorre espasmos + retardo da DNPM + EEG clássico
    • EEG: hipsiarritmia (bilateral, caótico, ondas lentas com alta voltagem)
    • pode ser desencadeado por uma super ativiação do hormônio CTH (liberador de ACTH)
    • tratamento com inibição do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal
    • tto: ACTH e vigabatrina
    • pode evoluir para síndrome de Lennox-Gastaut
  • Lennox-Gastaut
    • múltiplos tipos de crise convulsiva
    • pré-escolar
    • EEG de ponta onda de 1,-2,5Hz
    • pode incluir retardo mental
  • Epilepsia com descargas centrotemporais (benigna)
    • meninos de 13-14 anos com histórico familiar
    • as velocidades das áreas do córtex são diferentes, porém com a idade elas se igualam, por isso são chamadas de benigna
    • crises focais que acontece durante o sono ou ao despertar
    • EEG com ondas agudas centrotemporais
    • tto: só 25% recorrem, tratar a partir da segunda crise, não usar carbamazepina e lamotrigina
  • Epilepsia mioclônica juvenil - Síndrome de Janz
    • 13-20 anos
    • acontece geralmente no inicio da manhã e os episódios se tornam mais frequentes quando ocorre privação de sono
    • EEG de 4-6Hz
    • tto: valproato e lamotrigina
    • evitar: carbamazepina e fenitóina
  • Epilepsia do lobo temporal
    • forma mais comum no adulto
    • ocorre esclerose do hipocampo que pode ser tratada com cirurgia
    • tto medicamentoso com carbamazepina
    • pode haver sintomas comportamentais associados e liberação esfincteriana
  • Estado de mal epilético
    • crise com duração de mais de 30 minutos, ou maior que 5 minutos ou 2 crises consecutivas sem intervalo
    • pode ser convulsivo ou não
    • consequência se não houver tratamento imediato: hipertermia, rabdomiólise e disfunção cardiovascular
    • sinais de disautonomia: taquicardia, HAS, sudorese e midríase
    • tratamento inicial de suporte com proteção da via aérea, acesso venoso e proteção do próprio paciente
    • primeira alternativa: midazolan (EV ou IM) nao pode repetir midazolan ou diazepan (EV ou retal) pode ser repetida duas vezes. Útil para parar a crise
    • segunda alternativa: fenitoína, uso para não deixar recorrer, pode ser feita junto com o midazolan. Nunca diluir em soro glicosado, nunca infundir em uma velocidade superior a 50 pois pode causar hipotensão e arritmias
      • primeira dose: 20mg/kg a 50mg/min
      • segunda dose: 10mg/kg a 50mg/min
    • terceira alternativa: fenobarbital 20mg/kg
    • quarta alternativa: sedação com tiopental, midazolan ou propofol
    • causa: uso incorreto das medicações

Crise convulsiva ativa: proteger vias aéreas e usar benzodiazepínicos como primeira linha.

⚠️ Atenção: Este resumo foi elaborado com conteúdos até 02/2026. Pode haver erros e pontos desatualizados. Se quiser sugerir algum ajuste, clique em "Fale Comigo".

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