Epilepsias
Investigação
- o que aconteceu, antes, durante e depois
- entrevistar testemunhas
- sinais premonitórios (alteração de odor) ou aura
- história familiar
- crise febril na infância
- TCE ou AVE recentes
- infecções ou neoplasias do SNC
- privação de sono
- doenças sistêmicas
- Exames: hemograma, eletrólitos (Na, K, Ca, Mg), glicemia, função renal e hepática e EAS. Toxicológico e culturas se necessário
- RNM
- EEG quando tiver mais de 2 crises espontâneas
Diagnósticos diferenciais
- Síncope: perda da consciência e do tônus, geralmente é vasovagal ou neurocardiogênica
- desencadeantes: emoções, manobra de valsalva, hipotensão postural e doenças cardíacas
- sintomas: escurecimento visual, náuseas, cansaço, sudorese
- Crise psicogênica: associado a distúrbios psiquiátricos como transtornos conversivos
- Quando parar o tratamento: ausência de crises de 2-5 anos, tratamento contínuo por pelo menos 2 anos, exame neurológico e inteligência normais, único tipo de crise e EEG normal
- Síncope: perda da consciência e do tônus, geralmente é vasovagal ou neurocardiogênica
Crise febril ou convulsão febril
- epidemiologia: crianças de 6 meses a 5 anos
- tipo de convulsão: tônico-clônica
- risco de recorrência: ocorre nas primeiras 24h da febre, com febre entre 38-39 graus em crianças menores de 1 ano
- fatores de risco para desenvolver epilepsia: atraso no DNPM
- conduta:
- durante a covulsão: tratar a convulsão com midazolam (pode ser feito IM) ou diazepam (só pode ser VO)
- pós convulsão: descobrir a origem da febre
- quando indicar punção lombar: quando criança menor que 6 meses, status vacinal incompleto e crise complexa
- crise complexa: focal, dura mais de 15 minutos, período pós-ictal com sonolência prolongada ou com Síndrome de Todd (paralisia do local), recorrência em até 24h
Definição
- convulsão: alteração aguda e transitória da função cortical com descargas anômalas, excessivas e sincronizadas
- crise epilética: 2 ou mais crises não provocadas com intervalo menor que 24h
Investigação com punção lombar
- crianças menores de 6 meses (investigar meningite)
- status vacinal incompleto
- crise complexa
- HIV +
Focal
- sem perda - sem discognição
- com perda - com discognição, pode ser acompanhada de automatismos
- focal para tonico-clonico bilateral
- ocorre só em um hemisfério
- pode ocorrer generalização secundária de uma crise que começa como aguda
Generalizada
Não motora
- ausência:
- epidemiologia: crianças na fase escolar, geralmente os pais queixam de déficit de aprendizado
- sintomas: apagões súbitos e transitórios sem a perda do tônus muscular
- desencadeada por hiperventilação ou privação de sono
- tratamento: etossuximida, valproato e lamotrigina
- não usar: carbamazepina e gabapentina
Motora
- tônico-clônica
- como acontece a crise: tem uma fase tônica que dura alguns segundos seguida da fase clônica (relaxamento seguido de contração muscular)
- o que pode acontecer em outros sistemas: acumulo de salina nas vias aéreas, grito ictal, mordedura dos lábios, cianose, hiperatividade simpática com aumento da PA, FC e temperatura, midríase e sudorese
- pós-ictal: flacidez generalizada e liberação esfincteriana
- miotônica: pequenas contrações em grupos musculares inespecíficos que podem ser despercebidos
Tratamento
- quando começar: após a segunda crise
- quando suspender: 2 anos sem crise
- qual droga usar:
- focal: carbamazepina, valproato, lamotrigina
- generalizada: valproato e lamotrigina
- contraindicação: valproato é contraindicado nas gestantes
- ausência:
Síndrome de West
- ocorre no lactente de 4 a 7 meses, acredita-se que a fisiopatologia seja por imaturidade do SNC
- ocorre espasmos + retardo da DNPM + EEG clássico
- EEG: hipsiarritmia (bilateral, caótico, ondas lentas com alta voltagem)
- pode ser desencadeado por uma super ativiação do hormônio CTH (liberador de ACTH)
- tratamento com inibição do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal
- tto: ACTH e vigabatrina
- pode evoluir para síndrome de Lennox-Gastaut
Lennox-Gastaut
- múltiplos tipos de crise convulsiva
- pré-escolar
- EEG de ponta onda de 1,-2,5Hz
- pode incluir retardo mental
Epilepsia com descargas centrotemporais (benigna)
- meninos de 13-14 anos com histórico familiar
- as velocidades das áreas do córtex são diferentes, porém com a idade elas se igualam, por isso são chamadas de benigna
- crises focais que acontece durante o sono ou ao despertar
- EEG com ondas agudas centrotemporais
- tto: só 25% recorrem, tratar a partir da segunda crise, não usar carbamazepina e lamotrigina
Epilepsia mioclônica juvenil - Síndrome de Janz
- 13-20 anos
- acontece geralmente no inicio da manhã e os episódios se tornam mais frequentes quando ocorre privação de sono
- EEG de 4-6Hz
- tto: valproato e lamotrigina
- evitar: carbamazepina e fenitóina
Epilepsia do lobo temporal
- forma mais comum no adulto
- ocorre esclerose do hipocampo que pode ser tratada com cirurgia
- tto medicamentoso com carbamazepina
- pode haver sintomas comportamentais associados e liberação esfincteriana
Estado de mal epilético
- crise com duração de mais de 30 minutos, ou maior que 5 minutos ou 2 crises consecutivas sem intervalo
- pode ser convulsivo ou não
- consequência se não houver tratamento imediato: hipertermia, rabdomiólise e disfunção cardiovascular
- sinais de disautonomia: taquicardia, HAS, sudorese e midríase
- tratamento inicial de suporte com proteção da via aérea, acesso venoso e proteção do próprio paciente
- primeira alternativa: midazolan (EV ou IM) nao pode repetir midazolan ou diazepan (EV ou retal) pode ser repetida duas vezes. Útil para parar a crise
- segunda alternativa: fenitoína, uso para não deixar recorrer, pode ser feita junto com o midazolan. Nunca diluir em soro glicosado, nunca infundir em uma velocidade superior a 50 pois pode causar hipotensão e arritmias
- primeira dose: 20mg/kg a 50mg/min
- segunda dose: 10mg/kg a 50mg/min
- terceira alternativa: fenobarbital 20mg/kg
- quarta alternativa: sedação com tiopental, midazolan ou propofol
- causa: uso incorreto das medicações
Crise convulsiva ativa: proteger vias aéreas e usar benzodiazepínicos como primeira linha.