Hemorragia subaracnóidea
Definição
- definição: extravasamento de sangue nos locais que tem líquor
- principais causas: aneurisma
Fatores de risco
- hipertensão arterial
- malformação congênita
- sexo feminino pela deficiência de estrógeno
- tabagismo e etilismo
- terapia anticoagulante e antitrombótica
Fisiopatologia
- gênese da lesão: ocorre um enfraquecimento da parede do vaso devido à fatores inflamatório e turbilhonamento de sangue
- aneurisma micóticos: embolização séptica em vasos cerebrais
Clínica
- cefaleia inédita, súbita e muito intensa, classificada como a pior dor da vida
- thunderclap headache: cefaleia intensa que atinge o pico em poucos segundos
- pode ter perda da consciência, rigidez de nuca (sinal mais tardio), náusea, vômito, déficit focal não é um sintoma comum, presença de papiledema
- hemorragia vítrea no exame de fundo de olho sugere pior prognóstico
- cefaleia agravada pela tosse ou manobra de valsalva
Regra de Ottawa
Para indicar pesquisa de HSA, deve-se ter apenas um desses sintomas:
- dor ou rigidez cervical
- idade > 40 anos
- perda da consciência
- início com esforço
- cefaleia em trovoada
- flexão limitada do pescoço no exame físico
Exame físico
- fundoscopia: papiledema ou hemorragia vítrea
- síndrome de terson: quando tem hemorragia vítrea numa HSA
- sinais meníngeos: rigidez ou dor na nuca
- pior prognóstico: hemorrgia vítrea e e convulsões
Exames complementares
- TC: primeiro exame a ser feito e deve ser sem contraste
- líquor:
- quando pedir: quando não tem sinais de sangramento na TC, mas a hipótese de HSA é ainda muito sugestiva
- resultado: quantidade de hemácias igual no primeiro e último frasco da coleta e pressão de saída elevada
- xantocromia: coloração acastanhada devido ao acúmulo de hemácias, geralmente aparece após 12h
- outros exames:
1- glicemia
2- ECG
3- eletrólitos
4- função renal
5- coagulograma
6- hemograma
Diagnósticos diferenciais
- cefaleia tensional
- enxaqueca
- trombose venosa cerebral (sinal do delta vazio)
- HIP
- meningoencefalites
Classificação de Hunt-Hess
- tabela do livro
Classificação de Fischer
- tabela do livro
Tratamento
- quando indicar IOT: glasgow menor que 8, hipoxemia, instabilidade hemodinâmica e hipertensão intracraniana
- objetivos principais: evitar o ressangramento e o surgimento de vasoespasmo
- pressão arterial:
- medicamentos de escolha: labetalol ou nicardipina (não podem ser vasodilatadores)
- antes do tto: sistólica entre 140 e 160 com PAM menor que 110
- depois do tto: sistóica menos 200
- analgesia: com agentes reversíveis como narcóticos
- glicemia: entre 80 e 120 pode ser necessário fazer insulina contínua
- profilaxia para ulcera de estresse: ranitidina e omeprazol
- níveis de hemoglobina: entre 8 e 10
- PIC e PPC: PIC menor que 20 e PCC maior que 70
- cabeceira: 30 graus
- heparina: só após o tratamento cirúrgico 3x ao dia
- anticonvulsivantes: não mostram desfechos favoráveis, o de escolha é o valproato de sódio
- volemia: manter euvolêmico (PVC entre 8-12), exceto no tto de vasoespasmo (PVC 12-16)
- ácido tranexâmico: pode ser iniciado em até 72h nos casos em que não houve abordagem cirurgica
Paciente em uso de anticoagulação
- heparina: sulfato de protramina 1mg/100 U de heparina
- varfarina: complexo de protrombina ou complexo protrombinico ativado (fator II, IX e X) ou plasma fresco congelado + vitamina K na dose de 15-20 mL/kg
Vasoespasmo
- definição: irritação do vaso devido à fatores inflamatórios liberados devido ao sangramento, causa isquemia. Acontece geralmente entre o 3 e o 14 dia, nessa janela a abordagem cirurgia do aneurisma não deve ser feita
- clínica: náuseas, vômito, taquicardia, aumento do déficit neurológico, febre baixa e sinais meníngeos
- uso de nimodipina: tem como objetivo melhorar o prognóstico neurológico
- tto de vasoespasmo: angioplastia ou uso intra-arterial de vasodilatadores
- acompanhamento com doppler transcraniano
- 3H: hipervolemia, hipertensão arterial (fenilefrina) e
Outras considerações
- SIADH: o paciente estará hipervolêmico fazer restrição hídrica
- perdedora de sal: euvolêmico, fazer reposição volêmica com salina 0,9% ou salina hipertônica
- uso de corticoides: apenas nos casos de hipotensão refratária