Doença hepática gordurosa não alcoólica
Resumo baseado na aula de Esteatose Hepática do Grupo Med Cof + Guideline abaixo
Fisiopatologia
- Alimentação com excesso de gordura e carboidrato refinado com aporte de ácidos graxos livre para o fígado
- Ocorre acúmulo de gordura visceral com acumulo no fígado também
- 30-90% dos pacientes que tem esteatose evoluem para NASH (esteato hepatite)
- Dos que tem NASH, 10-20% evoluem para cirrose em 20 anos
- 7% dos que tem cirrrose evoluem para Hepato carcinoma celular. Maior causa de Hepato carcinoma, ultrapassando hepatite C
- Não foi encontrado relação de causalidade entre DM2 e esteatose hepática, porem o bom controle glicêmico reduz a progressão da doença. E pacientes com DM2 tem maior progressão da doença se comparados com aqueles que possuem a doença sem DM2
- Além disso, pacientes bariátricas já tem algum grau de fibrose hepática antes da cirurgia, sendo avaliado a indicação de biópsia hepática no intraoperatorio da bariátrica
Fatores de riso
- Sindrome Metabólica
- Obesidade
- DM2
- HAS
- Aterosclerose
- Dislipidemia
Classificação
- NAFLD = esteatose hepática nao alcoolica = acumulo de gordura no fígado em mais de 5% do parênquima hepático, sem causa em abuso de alcool ou outra hepatopatia, como as hepatites virais
- NASH = esteato hepatite = inflamação do hepatocito com acumulo de gordura dentro do hepatocito (formando as ballooning cell) alterações enzimáticas. O diagnostico nesse caso acontece por meio da biópsia hepática
Diagnóstico
Primeiro afastar outras causas para depois atribuir a causa de gordura no fígado a obesidade e síndrome metabólica
Excluir:
- Consumo de alcool significativo
- Uso de medicações que prejudicam o fígado: glicocorticoides, metotrexate, amiodarona, tamoxifeno, ácido valproico e antirretrovirais
- Hepatite virais
- Hepatite auto-imune
- Deficiência de alfa-1-antitripsina
- Lipodistrófias
- Abetalipoproteinemia
- Sindrome de Reye
- Rápida perda de peso devido a cirurgia bariátrica
- Desnutrição
Exames complementares - devem ser pedidos para investigação e exclusão de outras causas de hepatopatia. Segundo o guideline, pacientes com achados no USG devem ser sempre investigados para outras doenças
- Sorologias virais
- Dosagem de ferritina
- Dosagem de: alfa-1-antitripsina, anticorpos anti-mitocondrial, anti-nuclear e anti-músculo liso
- Também realizar exames de rotina: hemograma, função hepática e função renal
- Na pratica do SUS é possível pedir apenas sorologias e ferritina
Achados laboratoriais:
- Aumento mais importante inicialmente de TGP e depois da TGO, sendo a TGP levemente mais aumentada que TGO
- Transaminases podem estar normais inicialmente
- Transaminases normais não impedem a evolução da doença, enquanto que Transaminases alteradas aumentam o risco de evolução para complicações
Exames de imagem:
- USG de abdome, não é adequado para estadualmente
- Não consegue avaliar extensão da doença em paciente muito obesos
- Graus leves de esteatose não são detectados no USG
- O melhor método de exame para acompanhamento a longo prazo é a RNM
- Elastrografia hepática: consegue avaliar o grau de fibrose do fígado, limitação para pessoas obesas
- Padrão ouro: biópsia. Não indicado para todos os casos
Causas que podem elevar transaminases hepáticas
- Medicações
- Hepatite viral
- Hipotireoidismo, doença de Cushing, hipogonadismo, deficiência de GH e doença de Addison
- Hemocromatose
- Hepatite autoimune
- Colangite biliar primária
- Deficiência de alfa-1-antitripsina
- Bud-chiari
- Lesões tumorais sólidas
Rastreamento
- Indicado para: obesidade, DM, esteatose hepática encontrada no exame de imagem, aminotransferase aumentadas por mais de 6 meses
- O rastreamento é justificado devido a alta prevalência de fibrose em pacientes com DM2 (12-21%)
- A intervenção precoce pode reverter a esteatose e a progressão da doença para estágios de cirrose e hepatocarcinoma
- Realizar a aplicação do score FIB-4 que estima o risco de biópsia, sendo útil para avalia a necessidade de biópsia
- Score de risco fibrose: FIB-4
- Idade
- Plaquetas
- TGO e TGP
- FIB 4
- Baixo risco: perda de peso e controle dos fatores de risco
- Risco intermediário: realizar elastografia
- Se alto risco = avaliar necessidade de biópsia hepática
- Se baixo risco = encaminhar para especialista para melhor investigação
- Alto risco: avaliar necessidade de biópsia hepática
Tratamento
Tabela de tratamento no Guideline
- Perda de pelo menos 5%-10% do peso corporal
- Restrição de gordura saturada e de açúcar simples com deficit calórico associado e preferência para dieta mediterrânea
- Realização de atividade física
- Semaglutina e liraglutina são as únicas medicações que reduzem esteatose e diminuem atividade da doença por promoverem a perda de peso. Reduzem a inflamação do hepatocio, mas não alteram fibrose quando ela já está presente
- O tratamento impede também a evolução para graus mais avançados de fibrose
- Metformina e insulina não causam impacto nem redução da esteatose, por isso em pacientes obesos com DM2 preferir GLP1, tanto para controle da glicemia, quanto da esteatose, quanto por modificarem risco cardiovascular
- Benefício do uso de vitamina E para pacientes com esteatose sem DM2 (mecanismo não compreendido)
https://www.hepatitisc.uw.edu/page/clinical-calculators/fib-4