DPOC
Fonte: Manual do Residente de Clínica Médica e GOLD 2023
Definição
- Doença inflamatória inalatória com sintomas persistentes e progressivos
- Limitação persistente do fluxo de ar que não é reversível
- Associado a uma inflamação crônica da via aérea e destruição do parênquima pulmonar (enfisema)
- Causada por exposição crônica significativa a partículas nocivas ou gases
Clínica da DPOC
- Tosse crônica (geralmente é o primeiro sintoma), presença de muco, dispneia progressiva que piora com o exercício), história prévia de tabagismo ou exposição a fumaça/poluição e esforço expiratório
- Paciente com o mesmo grau de obstrução na espirometria podem ter níveis de sintomas diferentes
Fisiopatologia
- Inflamação da via aérea com fibrose da via aérea = inflamação crônica = remodelamento da via = aumento da resistência da via = destruição do parênquima
- Perda da arquitetura elástica do parênquima alveolar = diminuição da complacência (capacidade de expansão) = limitação do fluxo aéreo
- Inflamação crônica + diminuição da complacência = limitação do fluxo aéreo = sintomas
- Alteração da conformação estrutural do pulmão = desbalanço da relação ventilação / perfusão
Classificação do DPOC
- Geneticamente determinada
- Por desenvolvimento anormal do pulmão
- Secundária ao tabagismo
- Secundária a queima de biomassa e poluição
- Secundária a infecções
- Sobreposto a asma
- Por causa desconhecida
Quadro clínico
- Dispneia persistente progressiva com piora com exercícios
- Sibilância recorrência
- Tosse seca ou produtiva
- Infecções recorrentes de via aérea
- Tórax em tonel, sibilos, expiração forçada ou aumentada, pode apresentar cianose, presença de ronco devido ao muco
- O paciente aumenta o tempo de expiração para tentar forçar a saída do ar
- Alteração da oximetria
- MV reduzido em ápice, sibilos, roncos, aumento do tempo expiratório
Diagnóstico
- Sintomas sugestivos + histórico de exposição + VEF1/CVF menor que 0,7 (após uso de broncodilatador)
Achados na espirometria
VEF1/CVF <0,70 que não melhora com o uso de broncodilatadores = limitação persistente do fluxo aéreo
Classificação mMRC
Avalia o grau de dispneia
0- Grandes esforços: exercício físico
1- Subir rampa
2- Andar parando
3- Não consegue andar 100 metros sem parar caminhando numa superfície plana
4- Atividades comuns do dia-a-dia como colocar roupa
Classificação GOLD - grau de obstrução da via aérea
- Para que serve o GOLD: avaliar o nível da obstrução da via aérea, leva em conta os valores de VEF1 (volume expiratório forcado em 1 minuto)
- O VEF1 serve tanto para classificação, quanto para prognostico, sendo a redução desses parâmetros um sinal de maior mortalidade
- Lembrando que pacientes com mesmo nível de obstrução podem apresentar sintomas diferentes, por isso essa classificação sozinha não é suficiente
1- VEF1 > 80% (leve)
2- VEF1 entre 50 e 80% (moderado)
3- VEF1 entre 30 e 50% (grave)
4- VEF1 < 30% (muito grave)
COPD Assesment Test - CAT
Teste de avaliação da DPOC
- Questionário que avalia o impacto da DPOC no dia-a-dia do paciente
Classificação em letras (A, B ou E) - classificam de acordo com morbidade e risco de exacerbação
- A = mMRC 0-1 / CAT < 10 / 0-1 exacerbações sem internações
- B = mMRC > 2 / CAT > 10 / 0-1 exacerbações sem internações
- E = > 2 exacerbações ou 1 ou mais internações
Diagnóstico diferencial
- Asma: inicio mais precoce, períodos de exacerbação, historia de alergias, melhoram com broncodilatador
- Insuficiência cardíaca: cardiomegalia, sinais dde congestao e ECO alterado
- Tuberculose: tosse crônica, achado no raio-x + testes positivos
Tratamento de acordo com o A,B ou E
- A: um broncodilatador de longa duração LABA ou LAMA
- B: LABA + LAMA
- E: LABA + LAMA + corticoide inalatório
- Reabilitação pulmonar + cessar tabagismo + avaliar uso de O2
DPOC: manejo com broncodilatadores de longa duração, cessação do tabagismo e vacinação.
Quais são as classes de medicamentos previstas na DPOC
- SABA = broncodilatadores de curta duração (beta-2-adrenergico)
- Salbutamol = aerolim
- Fenoterol
- Alivio de dispneia aguda
- Indicado como terapia de alivio dos sintomas
- LABA = longa duração (beta-2-agonista)
- Formoterol
- Salmeterol (mais seletivo que os outros)
- SAMA = curta duração - antimuscarínicos
- Brometo de ipratropio
- LAMA = longa duração - antimuscarínicos
- Tiotropio
- Corticoides inalatorios
- Budesonida
- Beclometasona
- Fluticasona
- Corticoides isolados não interferem na mortalidade sendo preferível o uso junto com LABA
- Pacientes com > 300 eosinófilo sanguíneos podem se beneficiar mais do tratamento com corticoide inalatorio
- Considerar o uso quando o paciente faz muita exacerbação com internação
- LABA e LAMA (ambos de longa duração, diminuem as taxas de exacerbações e melhoram a função pulmonar. LAMA reduz mais exacerbações que o LABA.
- LABA + LAMA em associação: aumentam a função pulmonar VEF1
- SABA = broncodilatadores de curta duração (beta-2-adrenergico)
Critérios para oxigênio domiciliar
- PaO2 < 55mmHg ou SpO2 < 88% Ou
- PaO2 entre 55-59 e SpO2 < 89 + sinais de hipertensão pulmonar
Vacinação
- Influenza e COVID
- Pneumo 13 (realizar essa primeiro e depois de 6 meses a Pneumo 23)
- Pneumo 23 duas doses com intervalo de 5 anos em menores de 65 anos OU uma dose em maiores de 65 anos
Quais são os principais agentes bacterianos nas exacerbações
- Haemophilus
- Moraxella
- Pneumococo
Como tratar a exacerbação
- LAMA + corticoide sistêmico + atrovent + ATB
Nomes comerciais
SABA (S = short / B beta adrenergico)
- Salbutamol = aerolin
- Fenoterol = berotec
SAMA (S = short / M = muscarinico)
- Brometo de ipratropio = atrovent
LABA (L = long / B beta adrenergico)
- Formoterol = fluir
- Salmeterol = seretide
LAMA (L = long / B beta adrenergico)
- Tiotripio = spiriva
Corticoides inalatórios
- Budesodina = busonid
Combinações em um único dispositivo
- Alenia = Formoterol (LABA) + budesonida
https://goldcopd.org/2023-gold-report-2/
