Espirometria
Fonte: Manual do Residente de Clínica Médica USP - terceira edição
Fisiologia pulmonar
- O calibre da via aérea não é uniforme durante a árvore brônquica que implica em fluxo aéreo diferente
Indicação de espirometria
- Investigação de doença pulmonar em pacientes com histórico de tosse crônica, sibilância, dispneia e naqueles com poucos sintomas, mas expostos a situações de risco como tabagismo
- Prognostico e acompanhamento de doenças pulmonares crônicas: DPOC, asma, hipertensão pulmonar, pneumopatias e doenças neuromusculares
Contraindicações
- Doença cardiovascular instável: angina, IAM recente, arritmias
- Cirurgia cardíaca ou neurológica nos últimos 30 dias
- Descolamento de retina ou cirurgia ocular nos últimos 30 dias
- Doença respiratória infectocontagiosa em fase transmissível
Interpretação das variáveis
- Capacidade pulmonar total (CPT): o paciente realiza manobra de inspiração forçada
- Volume residual (VR): o que restou de ar nos pulmões após o paciente realizar manobra de expiração forçada
- Capacidade Vital (CV): CPT - VR (o máximo da inspiração menos o volume residual)
- Capacidade Vital Forçada (CVF): quanto inspirou e expirou forçadamente, manobra que o paciente realiza o ato de respirar forçadamente. O paciente realiza uma inspiração máxima e uma expiração forçada. A diminuição dessa capacidade pode estar relacionada a
- Redução da capacidade pulmonar total (não consegue inspirar) - mecanismo restritivo
- Aumento do VR (não consegue forçar a saída de ar, ficando ele aprisionado) - mecanismo obstrutivo com aprisionamento de ar
- Volume Expiratório Forçado em 1 segundo (VEF1): quanto consegue expirar em 1s, é o dado do exame de maior valor clínico
- Relação VEF1/CVF: valor de referência entre 0,7-0,8
- Indica que a maior parte da CVF (tudo aquilo que inspirou) conseguiu ser eliminado dentro do primeiro segundo da expiração forçada
- Quando essa relação diminui, ou seja, a maior parte do que inspirou não conseguiu ser eliminada em 1s, indica que está acontecendo uma limitação do fluxo expiratório = mecanismo obstrutivo
- Pico de fluxo expiratório (PFE): maior volume de fluxo expiratório, depende da intensidade do esforço expiratório
Distúrbio ventilatório obstrutivo
- Redução do fluxo aéreo expiratório, mantendo o fluxo aéreo inspiratório e a capacidade vital forçada
- Ocorre em doenças que acarretam na diminuição da velocidade de expiração, seja por aumento da resistência das vias aéreas ao fluxo (asma) ou perda da retração elástica do pulmão (enfisema)
- VEF1/CVF abaixo do limite inferior da normalidade
- Doenças associadas: asma, bronquite crônica, enfisema e bronquiolite
- Nesse distúrbio, o ar entra normalmente, mas não consegue sair normalmente, devido ao estreitamento da via ou pela perda da força expiratória do pulmão
Distúrbio ventilatório restritivo
- Ocorre alteração do volume do pulmão: alteração do parênquima, doenças fibrosante, alteração do tórax ou compressão do parênquima
- Há redução da CVF (capacidade de inspiração, volume que é inspirado)
- VEF1/CVF normal, porém capacidade pulmonar total diminuída
- Doenças associadas: pneumopatia intersticiais, doenças neuromusculares, derrame pleural e obesidade grau 3
Distúrbio ventilatório misto
- VEF1/CVF diminuído e redução da capacidade pulmonar total
Distúrbio ventilatório inespecífico
- Redução da CVF1, porém a relação CVF1/CVF permanece normal
- Estágios iniciais de doenças que causam fraqueza muscular, obesidade e doenças de pequena via aérea
Resposta ao broncodilatador
- Quando após o uso de salbutamol ocorre uma melhora dos parâmetros sugerindo que a obstrução do fluxo tem componente variável = asma
- VEF1 > 7% ou variação de 200ml de ar
- Resposta positiva não é sinônimo de indicação clinica formal para o uso de broncodilatador e a ausência de resposta também não descarta a necessidade de uso


